É falso que ‘chupa-cabra’ inserido em urnas transferiu votos de Russomanno para Haddad em 2012

Por Marco Faustino

16 de maio de 2022, 16h57

Não é verdade que um dispositivo mostrado em vídeo que circula nas redes sociais transferiu votos de um candidato para outro em urnas eletrônicas usadas nas eleições municipais de São Paulo em 2012 (veja aqui). Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o suposto “chupa-cabra” não seria capaz de alterar dados nos equipamentos de votação porque eles não funcionam com periféricos ou programas sem assinatura digital da corte.

Publicações que difundem o conteúdo enganoso acumulavam ao menos centenas de compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (16).


Selo falso

Mostrando um Chupa Cabra de Urna Eletrônica. É pura FRAUDE

Vídeo engana ao dizer que dispositivo ‘chupa-cabra’ transferiu votos entre candidatos nas eleições de 2012.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, um homem alega enganosamente que um “chupa-cabra” inserido nas urnas eletrônicas transferiu votos de Celso Russomanno (então PRB, hoje Republicanos) para Fernando Haddad (PT) nas eleições para prefeito de São Paulo em 2012. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o dispositivo que aparece nas imagens não teria sido capaz de alterar dados porque os equipamentos de votação não funcionam com periféricos e programas sem assinatura digital da Justiça Eleitoral.

“Ainda que o dispositivo USB conseguisse se passar por um periférico válido para a urna, esta não colocaria nenhum programa malicioso em execução. A urna só executa software com assinatura digital válida gerada na cerimônia de lacração e assinatura digital dos sistemas eleitorais. Portanto, qualquer tentativa de uso de um dispositivo estranho acoplado à urna seria inócua”, afirmou ao Aos Fatos o TSE.

A corte negou que o dispositivo tenha sido produzido pela Diebold Nixdorf, responsável pela fabricação das urnas usadas pelo TSE até 2015, e disse que parece “algo que o homem do vídeo montou por si mesmo”.

A avaliação do TSE é corroborada por Jéfer Benedett, professor de Computação da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Segundo ele, o arquivo que supostamente comprovaria a fraude já estava aberto antes de o pendrive ser introduzido e foi acessado diretamente do Gmail, de e-mails datados de setembro de 2014.

Imagem de tela mostra que o suposto arquivo é um e-mail do Gmail.
Gmail. Frame do vídeo mostra que autor abriu e-mail, não arquivo do dispositivo

Segundo o TSE, os dados apresentados no vídeo são do log de uma urna – o conjunto de registros cronológicos de todas as operações realizadas em uma máquina de votação. Esses dados são públicos e enviados aos partidos políticos após as eleições.

É falso também o argumento do vídeo de que votos computados após as 17h, horário do encerramento das eleições, seriam indícios de fraude. O eleitor que estiver dentro da zona eleitoral até às 17h recebe uma senha e tem o direito ao voto garantido. Segundo o TSE, é necessário que um mesário dê um comando de encerramento para que a urna pare de computar os votos.

Origem. O vídeo difundido nas peças checadas circula nas redes sociais desde 2015. O homem que aparece na gravação se identifica como Davincci Almeida, e Aos Fatos não conseguiu contatá-lo.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica e Lupa.

Referências:

1. O Globo


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Esta reportagem foi publicada de acordo com a metodologia anterior do Aos Fatos.

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