Acusação de fraude eleitoral domina correntes de WhatsApp em grupos monitorados

Por Ethel Rudnitzki

3 de outubro de 2022, 15h35

Quatro das cinco principais correntes de baixa qualidade (veja aqui a metodologia) que circularam em grupos públicos de política no WhatsApp no final de semana do primeiro turno mencionam suposta fraude nas urnas — nunca registradas, desde a implantação do sistema eletrônico de votação no Brasil, em 1996.

  1. A que teve mais compartilhamentos (86) acompanha um vídeo descontextualizado de uma briga entre os senadores Ataídes Oliveira (PROS-TO) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para provar uma suposta "sensação de derrota" na campanha do PT. Na verdade, o vídeo mostra uma discussão que ocorreu no Senado, em 2017, não na direção do partido, e circula fora de contexto;

  2. Em segundo lugar, aparece uma mensagem de um eleitor na Austrália propondo uma estratégia para escancarar a suposta fraude — não votar. “Quando saiu o boletim de urna no final com MUITO MAIS VOTOS REGISTRADOS DO QUE GENTE QUE FOI VOTAR os esquerdistas ficaram DESESPERADOS AQUI!”, relata corrente que circulou em nove comunidades diferentes.

  3. Na terceira posição ficou uma mensagem que negava o resultado das pesquisas de intenção de voto e convocava uma paralisação de caminhoneiros em caso de fraude. A corrente acompanha vídeo de encontro de Jair Bolsonaro (PL) com apoiadores às vésperas da eleição. “Essa é a verdadeira pesquisa”, dizia.

  4. Focando em eleitores cristãos, a quarta corrente mais popular pedia para que eles se unissem em oração às 21h de sábado (1º) para pedir “que quaisquer fraudes nessas eleições não sejam suficientes para derrubar o Bolsonaro. Ele é a última barreira entre a desgraça e a nossa liberdade”.

  5. A única mensagem entre as mais populares que não falava em fraude eleitoral incentivava o voto em Bolsonaro colocando-o em oposição ao candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão”. “A pergunta que não quer calar; DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ? Pra que lado você vai votar, pro lado do bem ou do mal?”, questionava.


Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.

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