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Vídeo não mostra cilindros de oxigênio da LG; carregamento é da White Martins

Por Marco Faustino

15 de janeiro de 2021, 17h56

Cilindros de oxigênio que aparecem em um vídeo compartilhado nas redes sociais são da White Martins, não da LG Electronics do Brasil, conforme afirmam postagens nas redes (veja aqui). O vídeo, gravado nesta quinta-feira (14), tem sido usado fora de contexto em postagens que alegam, falsamente, se tratar de uma doação feita a pedido do presidente da empresa para socorrer hospitais de Manaus. A LG tem fornecido o oxigênio às unidades de saúde por conta de uma requisição administrativa do governo do Amazonas.

Publicações contendo o vídeo descontextualizado contam com ao menos 17.500 compartilhamentos no Facebook e foram marcadas com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da plataforma (veja como funciona).


A produção da LG parou a fábrica de ar-condicionado para doar todo o oxigênio para os Hospitais da rede pública de Manaus. A determinação foi dada pelo Presidente da LG

Um vídeo que mostra cilindros de oxigênio não foi gravado na fábrica da LG e tampouco se trata de uma doação da empresa aos hospitais de Manaus. Os suprimentos fazem parte de um carregamento da White Martins. Ontem, policiais militares realizaram a escolta dos insumos destinados a pacientes internados com Covid-19. Os cilindros chegaram pelo Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e foram entregues à CEMA (Central de Medicamentos do Amazonas), informou o governo estadual.

Por meio de fotos divulgadas pela Polícia Militar do Amazonas pela imprensa (confira aqui, aqui e aqui) é possível notar que se trata do mesmo episódio. Também é possível notar que os funcionários que aparecem no vídeo vestem camisa com o logo da White Martins.

Requisição. Em meio à falta de oxigênio para internados com Covid-19 em Manaus, a Secretaria de Saúde do Amazonas determinou ontem a requisição administrativa de "eventual estoque ou produção de oxigênio" de dezessete empresas, como montadoras e produtoras de eletrodomésticos localizadas no do Polo Industrial de Manaus, informou a BBC. Entre as empresas afetadas pela requisição estava a LG Electronics do Brasil, mas não há notícia de doação realizada pela empresa.

A requisição administrativa, prevista na Constituição Federal, não se trata de uma doação, tampouco um confisco propriamente dito, mas um instrumento de intervenção estatal. Nele, o estado utiliza bens móveis, imóveis ou serviços particulares quando há situação de perigo público iminente, com indenização posterior, se houver dano.

Ao blog da jornalista Míriam Leitão, o presidente do Centro das Indústrias do Amazonas, Wilson Périco, disse que a LG parou a linha de produção de ar-condicionado para que todo o oxigênio fosse destinado aos hospitais. O insumo é usado nas fábricas para procedimentos como a soldagem e corte, especialmente na produção de ar-condicionado e motocicletas.

Procurada pelo Aos Fatos, a LG confirmou a disponibilização de oxigênio para os hospitais de Manaus. Porém, quando questionada sobre a paralisação na linha de produção ou o pedido de doação do presidente da empresa, a empresa não respondeu.

Referências:

1. Governo do Amazonas
2. G1
3. SBT News
4. CNN Brasil
5. BBC News
6. Migalhas
7. JusBrasil
8. Blog Míriam Leitão


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