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Vídeo de protesto contra governo Dilma é difundido como fosse de ato pró-Bolsonaro

Por Amanda Ribeiro

19 de abril de 2020, 19h54

Publicações que circulam nas redes sociais enganam ao compartilhar um vídeo de um protesto contra a então presidente Dilma Rousseff (PT) em março de 2015 como se fosse de ato em apoio ao presidente Jair Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (19). Além de circular nas redes desde aquele ano, a gravação mostra que a ciclovia que hoje corta a avenida e que foi inaugurada em junho de 2015 ainda estava em obras (veja aqui). Também é possível ver que um dos homens em cima do trio elétrico usa uma camisa com os dizeres “Eu votei no Aécio”, em referência às eleições presidenciais de 2014.

Neste domingo (19), pelo segundo dia consecutivo, houve manifestações em diversas cidades do país em apoio a Bolsonaro e contra as medidas de isolamento adotadas para conter a disseminação da Covid-19. Em São Paulo, os manifestantes fizeram carreatas e se aglomeraram próximo à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista. Imagens do protesto mostram, no entanto, que o número de pessoas era bem menor que o registrado no vídeo.

O vídeo descontextualizado tem sido difundido em publicações de perfis pessoais no Facebook que acumulavam cerca de 55 mil compartilhamentos até a noite deste domingo (19). Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Um vídeo que mostra a avenida Paulista, em São Paulo, repleta de manifestantes vestidos de verde e amarelo e cantando o Hino Nacional tem sido compartilhado como se mostrasse um dos atos em apoio ao presidente Jair Bolsonaro que ocorreu neste domingo (19). No entanto, por meio de uma busca reversa de imagens, Aos Fatos constatou que o vídeo foi gravado no dia 15 de março de 2015, quando cerca de 210 mil pessoas se reuniram em ato contra o governo da então presidente Dilma Rousseff.

No início da gravação, é possível ver que um dos homens em cima do trio elétrico usa uma camisa com os dizeres “Eu votei no Aécio”, em referência às eleições presidenciais de 2014. Também aparecem nas imagens as obras que interditaram parte da avenida em 2015 para a construção de uma ciclovia, que viria a ser inaugurada em junho daquele ano.

Protestos. Ao longo deste fim de semana, foram realizadas carreatas em apoio a Bolsonaro e contra as medidas de isolamento social adotadas pelos estados para conter o novo coronavírus, que já causou 2.462 mortes no país.

Na capital do estado de São Paulo, o mais afetado pela pandemia, centenas de manifestantes bloquearam duas faixas da avenida Paulista para demonstrar apoio ao presidente e pedir o fim da quarentena. A aglomeração de pessoas e carros dificultou o acesso a hospitais da região que atendem vítimas de Covid-19, como o Hospital das Clínicas, o Sírio-Libanês e o Emílio Ribas.

Em Brasília, o próprio presidente foi até o local da manifestação, que também pedia intervenção militar. Em discurso que causou aglomeração à frente do Quartel-General do Exército, Bolsonaro criticou o que chamou de “velha política”. “Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”.

Referências:

1. UOL
2. G1 (Fontes 1, 2 e 3)
3. Folha de S.Paulo
4. Ministério da Saúde
5. Veja São Paulo

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