Não há evidência de que petista assassinado e bolsonarista tinham 'rixa antiga'

Por Priscila Pacheco

12 de julho de 2022, 18h47

Não há nenhuma evidência de que o guarda municipal e dirigente petista Marcelo Aloizio de Arruda, morto no domingo (10), e Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) que atirou contra Arruda, se conheciam e tinham uma "rixa" antiga em Foz do Iguaçu (PR), conforme é dito nas redes sociais (veja aqui). O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, e familiares dos dois homens afirmam que eles não se conheciam.

A desinformação conta com 4.503 compartilhamentos no Facebook, centenas de interações no Instagram e 1.500 retuites no Twitter nesta terça-feira (12). O conteúdo também tem sido disseminado em grupos do Telegram.


Selo falso

Os fatos como aconteceram. Os envolvidos já tinham rixa antiga!

Postagem cita que petista morto em Foz do Iguaçu tinha conflito antigo com o assassino

Postagens nas redes sociais enganam ao afirmar que o guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda e o seu assassino, o policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, se conheciam e tinham uma “rixa” antiga. O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, a mãe de Guaranho e as esposas de Arruda e Guaranho dizem que os homens não se conheciam.

Arruda, que era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu e foi candidato a vice-prefeito pelo partido em 2020, comemorava o aniversário de 50 anos no sábado (9) em uma festa com a temática do PT e do pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, quando Guaranho invadiu gritando: "Aqui é Bolsonaro!". Após uma discussão com Arruda, o policial penal foi embora, mas voltou e atirou contra o aniversariante, que revidou. Arruda morreu na madrugada de domingo (10), e Guaranho segue internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Ainda no domingo, a policial civil Pâmela Suelen Silva, viúva de Arruda, disse ao site Metrópoles que o marido não conhecia Guaranho. “Eles não se conheciam. A gente não sabe quem é essa pessoa. Eu só sei que ele é um louco e que acabou com a nossa família. É isso que eu sei”, afirmou.

No dia seguinte (11), a mãe de Guaranho, a comerciante Dalvalice Rosa, falou ao UOL que o filho e Arruda não se conheciam. “Estamos sem chão. O que aconteceu tem a ver com extremismo e intolerância política. Eles não se conheciam, e nada mais explica essa tragédia”, declarou ao site. Convidados da festa de Arruda também comentaram que não havia relação anterior entre os envolvidos no caso.

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As declarações das duas mulheres e dos convidados foram reforçadas pelo secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, em entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, na tarde de segunda-feira. "Não existe, até o momento, nenhuma informação, nenhum dado sequer de que os dois tenham tido algum contato anterior. O que se tem até o momento, é que, realmente, a coisa aconteceu naquele momento, daquela forma que as imagens mostram, mas isso vai ser atestado ao final da investigação", comentou.

O promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça disse nesta terça-feira (12) que a esposa de Guaranho afirmou em depoimento que ela e o marido não conheciam Arruda ou qualquer integrante da família do guarda municipal.

A Secretária de Segurança Pública paranaense confirmou ao Aos Fatos que não há indício de que os dois homens se conheciam antes da noite do crime. A Polícia Cívil do Paraná escutou oito testemunhas até a manhã desta terça-feira (12) e pretende concluir o inquérito ainda este mês.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2 e 3)
2. Metrópoles
3. UOL
4. Revista Piauí
5. Twitter Andreia Sadi
6. Folha de S. Paulo


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