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É falso que empresários de MT irão a Cuba para tomar vacina Sputnik V

Por Marco Faustino

19 de março de 2021, 13h56

Não é verdade que um grupo de 120 empresários de Mato Grosso viajará para Cuba para tomar a vacina Sputnik V contra Covid-19, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). Segundo o consulado do país em São Paulo, Cuba não dispõe do imunizante russo. A embaixada cubana em Brasília reforçou, em e-mail ao Aos Fatos, que a ilha imunizará a sua população com suas próprias vacinas e que a informação sobre a viagem dos empresários é falsa.

Posts com o conteúdo enganoso somavam ao menos 12.709 compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (19) e foram marcados como FALSO na ferramenta de checagem da rede social (entenda como funciona).


Empresários de MT vão fretar avião para tomar vacina russa Sputnik V em Cuba

É falso que um grupo de mais de cem empresários de Mato Grosso viajará para Cuba para tomar a vacina russa Sputnik V. Tanto a embaixada cubana em Brasília quanto o consulado do país em São Paulo desmentiram a alegação. Segundo eles, o país não dispõe do imunizante russo, uma vez que optou por produzir suas próprias vacinas, que ainda estão em fase de testes.

Em e-mail ao Aos Fatos, a embaixada informou que Cuba "imunizará a população com suas próprias vacinas candidatas, tarefa na qual já está imerso e com término previsto para dezembro de 2021”.

Já o Consulado-Geral de Cuba em São Paulo disse em nota publicada em sua página no Facebook que “Cuba não dispõe, de qualquer forma, da vacina Sputnik V, muito menos para comercializá-la”. Embora a página não tenha selo de verificação na rede social, o site do Ministério das Relações Exteriores cubano divulga o seu link.

De fato, não há qualquer autorização para o uso do imunizante russo na ilha, conforme pode ser visto na página do Fundo Russo de Investimentos Diretos, que financia a produção da Sputnik V, e sequer há menções sobre a vacina no site do Ministério da Saúde de Cuba. Atualmente, a Sputnik V foi aprovada em 51 países, entre eles Argentina, Paraguai, Venezuela, Bolívia, México e Honduras.

Produção própria. O governo cubano não comprou vacinas no mercado internacional, nem faz parte dos países que aderiram ao Covax Facility, iniciativa global para garantir acesso rápido e equitativo às vacinas contra a Covid-19 criada pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Cuba decidiu produzir suas próprias vacinas no lugar de comprar imunizantes de outros países. Entre as cinco que vêm sendo desenvolvidas na ilha, a Soberana 02 é a que está em fase mais avançada. No início de março, ela recebeu autorização para a terceira e última fase de ensaios clínicos, quando a sua eficácia será testada em larga escala.

Ao G1, o embaixador cubano Rolando Gómez González afirmou que a vacinação da população não começou em Cuba, muito menos dos estrangeiros. “As doses estão sendo aplicadas apenas como parte de ensaios clínicos”, disse.

A publicação enganosa sobre a viagem dos empresários foi difundida pelo site O Documento e compartilhada nas redes sociais. Segundo o texto, a viagem custaria cerca de R$ 3,6 milhões e incluiria o fretamento de uma aeronave, pagamento pelas vacinas e hospedagem.

Procurado pelo Aos Fatos para comentar o assunto, o site O Documento não respondeu até a publicação desta checagem.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org e pelo E-farsas.

Referências:

1. Facebook
2. Minrex
3. Sputnik Vaccine
4. MSP
5. UOL (Fontes 1 e 2)
6. OPAS
7. DW
8. Boatos.org
9. E-farsas


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