Delegado que investiga facada não criticou Bolsonaro no Facebook

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Não pertencem ao delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, responsável pela investigação do atentado a faca contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), foto e posts de Facebook com críticas ao candidato mostradas em publicações de ao menos cinco sites desde a última terça-feira (25). Para fazer parecer que ele “é petista declarado”, as páginas trazem a informação falsa ao lado de outra, verdadeira: o delegado trabalhou no governo de Minas Gerais durante a gestão do petista Fernando Pimentel. Idênticas, as publicações estão nos sites República de Curitiba, Publica Brasil, Jornal do País, Martins em Pauta e rvchudo.

Para dar veracidade à versão, os textos publicados mostram posts de redes sociais como se fossem de autoria do delegado Rodrigo Morais Fernandes, mas que, na verdade, são de Rodrigo Morais Matos, que também já ocupou o cargo de delegado, só que na Polícia Civil do Piauí, e atualmente é vereador pelo PSDB na cidade de Santa Luzia, na Paraíba.

Já ao dizer que o delegado da PF “trabalhou para Pimentel”, os sites referem-se ao fato de que Rodrigo atuou na coordenação da Assessoria de Integração das Inteligências da extinta Secretaria de Defesa Social (hoje Secretaria de Estado de Segurança Pública) do governo mineiro na administração do petista Fernando Pimentel, o que foi confirmado ao Aos Fatos pelo órgão nesta quinta-feira (27). Ele exerceu o cargo entre maio de 2015 e outubro de 2016.

Assim, as publicações, denunciadas por usuários do Facebook, foram marcadas por Aos Fatos com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona). Este selo é aplicado para conteúdos que trazem informações verídicas, mas retiradas do contexto ou misturadas a dados falsos.

No Facebook, o texto já acumula mais de 57 mil compartilhamentos nos posts publicados pelas páginas República de Curitiba, Direita Brasil, Movimento Força Brasileira, Paraná com Bolsonaro, Jornal do País, Bolsonaro Presidente, Pense Nisso Notícias e Operação Lava Jato - Apoio ao Juiz Sergio Moro, segundo dados obtidos pela ferramenta Crowdtangle, que mede o alcance de publicações nas redes sociais.

Veja abaixo, em detalhes, o que checamos.


DISTORCIDO

Delegado que investiga atentado contra Bolsonaro é petista declarado e já trabalhou para Pimentel

O texto reproduzido por República de Curitiba, Publica Brasil, Jornal do País, Martins em Pauta e rvchudo diz que “o delegado Rodrigo Morais [Fernandes] que investiga o atentado contra Bolsonaro é declaradamente contrário ao candidato do PSL”. Para sustentar a afirmação, porém, os sites utilizam publicações feitas nas redes sociais por Rodrigo Morais Matos, que foi delegado da Polícia Civil do Piauí e atualmente é vereador do PSDB em Santa Luzia, na Paraíba. O erro fica claro porque quem aparece nas fotos da reportagem é o vereador, conforme a foto que usou nas urnas em 2016, e não o delegado da PF.

Nos comentários citados pelos sites e atribuídos falsamente ao delegado da PF, o vereador tucano escreveu: “No Brasil inteiro as pessoas sensatas levantam suas vozes contra Bolsonaro! A rejeição só aumenta…” e “o feminismo fez você ter o direito de escolher Bolsonaro nesta eleição, loira burra!”.

O parlamentar publicou um esclarecimento em suas redes sociais assumindo a autoria dos comentários e eximindo de culpa o delegado da Polícia Federal: “A maldade de parcela dos eleitores (de todos os candidatos) é assustadora”, escreveu, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Desde então, o perfil dele foi fechado.

Outra informação citada nas publicações, porém, é verdadeira. O texto reproduzido nos sites analisados diz que o delegado da PF “já trabalhou para Pimentel”, referindo-se a Fernando Pimentel, governador petista que disputa reeleição em Minas Gerais. De fato, Rodrigo Morais Fernandes foi chefe da Assessoria de Integração das Inteligências da extinta Secretaria de Defesa Social, hoje Secretaria de Estado de Segurança Pública, do governo mineiro da gestão Pimentel entre maio de 2015 e outubro de 2016, como informou o órgão ao Aos Fatos nesta quinta-feira (27).

O texto reproduzido pelos sites cita ainda um caso ocorrido em 2016, e publicado pela coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, sobre uma autorização dada pelo governo de Minas Gerais para que Rodrigo Morais pudesse viajar para acompanhar o Super Bowl, a final do futebol americano. As publicações omitem, porém, a versão do governo. À época, a gestão justificou que as despesas de Rodrigo correriam por conta do Ministério da Justiça, “que recrutou representantes de todos os estados que vão sediar jogos das Olimpíadas”. Belo Horizonte foi subsede dos Jogos 2016 e recebeu partidas de futebol feminino e masculino.

Procurados para comentar o resultado da checagens, República de Curitiba, Publica Brasil, Jornal do País, Martins em Pauta e rvchudo não responderam até a tarde desta quinta-feira (27).

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