Ministério da Defesa reativou Telegram só para divulgar relatório e teve 700 mil visualizações

Por Ethel Rudnitzki e João Barbosa

10 de novembro de 2022, 16h28

Antes de divulgar o relatório que resultou da fiscalização de urnas eletrônicas, na quarta-feira (9), o Ministério da Defesa havia feito apenas duas publicações em seu canal oficial no Telegram, que tem mais de 70 mil inscritos e é o maior entre todas as pastas do Executivo federal na plataforma.

Criado em 23 de junho, o perfil voltou à atividade há apenas dois dias, ao atualizar a foto na terça (8) — véspera da divulgação do relatório, junto com anúncio sobre o encaminhamento do documento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Entenda a importância do Telegram e os fatos em ordem cronológica:

  • Na quarta-feira (9), o Telegram foi a única rede social na qual a Defesa publicou a íntegra do documento, divulgado também em seu site;
  • A postagem com o PDF atingiu mais de 600 mil visualizações e foi encaminhada a pelo menos 112 comunidades bolsonaristas monitoradas pelo Radar Aos Fatos. Trechos foram usados em grupos para alimentar a versão falsa de fraude e engajar a base bolsonarista;
  • Horas após a divulgação, o TSE disse em nota que “o relatório não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”;
  • Na noite de quarta (9), o Ministério da Defesa voltou ao Telegram para desmentir um print falso que circulou como se fosse uma nota oficial, admitindo que o relatório não encontrou fraude;
  • Na manhã desta quinta (10), a pasta publicou uma nova nota oficial afirmando que o relatório “não excluiu a possibilidade de fraude ou inconsistência”;
  • A nova postagem foi compartilhada por 106 comunidades na plataforma e somou mais de 100 mil visualizações.

A única publicação não relacionada ao relatório das Forças Armadas feita pelo canal foi feita na terça-feira (8) e divulgava um evento organizado pelo Cesipan (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) sobre as cheias na região.

O Aos Fatos questionou a Defesa sobre a ativação do canal às vésperas da publicação do relatório. Após a publicação da reportagem, a pasta afirmou que possui um grupo na plataforma desde janeiro, mas, devido à limitação de membros na comunidade (200 mil), decidiu criar o canal e passou a adotá-lo como forma de comunicação oficial no dia 8 de novembro, após receber selo de verificação oficial do Telegram.

Maior da Esplanada. Apesar da pouca atividade, o canal da Defesa é o mais popular entre os ministérios no Telegram, com mais de 70 mil inscritos. O perfil também é o mais recente entre os canais oficiais das pastas do Executivo Federal.

O Radar Aos Fatos identificou perfis oficiais das pastas da Saúde, Cidadania, Infraestrutura, Economia e Justiça e Segurança Pública.

  • O segundo mais popular é o canal da Cidadania, com 42 mil inscritos;
  • O mais antigo é o da Infraestrutura, criado em 12 de janeiro de 2021;
  • E o segundo mais recente é o da Saúde, inaugurado no dia 6 de abril de 2022.

Todos os canais estavam fazendo postagens regularmente nos últimos meses, exceto os perfis das pastas da Justiça e do Desenvolvimento Regional, que anunciaram interrupção nas postagens durante o período de campanha eleitoral, entre 16 de agosto e 30 de outubro.

Canal desativado. Entre 19 de janeiro e 5 de fevereiro, o Ministério da Defesa tinha um outro canal no Telegram, que foi divulgado em seu Twitter, mas que não está mais ativo. O nome do canal antigo foi usado por um usuário para criar canal apócrifo na plataforma nesta quarta-feira (9). A única postagem deste outro canal pede que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “dê o golpe”.

ATUALIZAÇÃO, quinta (10), às 18h13: Esta reportagem foi atualizada para incluir a resposta do Ministério da Defesa.

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