Sem prova de fraude, relatório da Defesa é usado por bolsonaristas para manter base engajada

Por Bianca Bortolon, Ethel Rudnitzki e Milena Mangabeira

9 de novembro de 2022, 20h36

O Ministério da Defesa publicou às 18h50 desta quarta-feira (9) o relatório sobre o sistema eleitoral produzido durante a eleição deste ano. O documento foi enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e divulgado no site e no canal oficial da Defesa no Telegram — plataforma em que acumulou mais de 340 mil visualizações em menos de uma hora.

O relatório “não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”, conforme afirmou o TSE em nota. Mesmo assim, o arquivo se espalhou por comunidades bolsonaristas no Telegram que enxergavam uma promessa de revelar fraude nas eleições.

Trechos do documento sobre uma suposta possibilidade de risco na segurança das urnas foram destacados por bolsonaristas. “Não é possível afirmar que a urna está isenta de um código malicioso que possa alterar seu funcionamento”, escreveu a deputada Bia Kicis (PL-DF) em publicação no Telegram.

O trecho foi considerado “gravíssimo” por bolsonaristas. “O Relatório afirmou que houve interferência e que o código fonte abriu claramente uma margem para fraude”, interpreta falsamente uma das mensagens. “Inconsistências = fraude”, diz outra.

Frustradas com os resultados apontados pelo documento, outras comunidades trabalharam para descredibilizar o relatório devido à data de assinatura na última página do arquivo, que se refere ao anexo ofício com solicitações feitas pela Defesa ao TSE em junho.

No início do documento, é possível ver a assinatura e ofício com a data desta quarta (9). "FAKE. ESTE RELATÓRIO CITADO É DE 24/06/2022", alerta mensagem em um dos grupos.

Não desmobilizar. O Radar Aos Fatos também identificou mensagens que incentivavam a continuidade de manifestações contra o resultado das eleições.

  • "Ta proibido desistir”;
  • “Não saiam das Ruas”;
  • “Não saiam das portas dos quarteis” foram algumas das expressões usadas em reação ao relatório.

Antes mesmo da divulgação do documento, as comunidades já pediam que os membros persistissem com as manifestações. Uma corrente que circulava em grupos monitorados desde a terça (8) pedia que os manifestantes continuassem protestando na frente dos quarteis mesmo que o relatório apontasse fraude.
“MANTEREMOS A GREVE GERAL ATÉ QUE AS FORÇAS ARMADAS ENTREM PRA GARANTIA DA LEI E DA ORDEM. GLO.”, dizia parte do texto que circulou mais de 30 vezes.

Outras pediam mobilização independentemente do que o documento concluísse. “Já cansaram de avisar que não importa o relatório, não tem volta, a Guerra vai acontecer, vcs precisam entender isso. A verdade precisa ser revelada.”

Com a divulgação, esse movimento se intensificou. “Resumo do relatório: lotem ainda mais os quartéis!”, diz mensagem.

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