Vídeo de 2018 noticiava mortes causadas por vacina contra febre amarela, e não por imunizante contra Covid-19

Por Milena Mangabeira

20 de dezembro de 2023, 16h21

Foram causadas pela vacina contra a febre amarela, e não pelo imunizante contra a Covid-19, as mortes noticiadas pelo apresentador César Tralli em vídeo que circula nas redes. O trecho do SP1, da TV Globo, que foi ao ar em 2018, tem sido compartilhado por peças de desinformação como se fosse recente e provasse que as vacinas contra o coronavírus são perigosas.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam mais de 11 mil curtidas no Instagram e milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta quarta-feira (29). A peça de desinformação também circula no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).


Selo falso

O importante era tirar o Bolsonaro. Ué, quando Bolsonaro falava que a vacina tinha riscos, a esquerda dizia que ele era contra a vacina.

Vídeo tira de contexto trecho do SP1 para alegar que vacinas contra a Covid-19 causaram duas mortes em São Paulo

Publicações nas redes têm compartilhado uma versão editada e fora de contexto de uma edição do SP1 veiculada em 19 de janeiro de 2018 para alegar que o apresentador César Tralli teria noticiado a morte de duas pessoas em decorrência da vacinação contra a Covid-19. No registro original, no entanto, Tralli afirma que as mortes foram causadas pelo imunizante contra a febre amarela.

Para fazer a associação falsa entre a notícia e a vacina contra a Covid-19, as peças de desinformação recortam um trecho do telejornal em que Tralli faz menção à febre amarela e editam o gerador de caracteres — texto descritivo com os créditos da reportagem (veja abaixo).

Comparação que mostra o frame do vídeo original com título “febre amarela” enquanto o conteúdo manipulado descreve “vacinas matam”.
Comparação. Frames mostram que o GC do vídeo original foi manipulado para inserir "vacinas matam" sobre o título "febre amarela".

No telejornal, o apresentador afirma que a Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou as mortes de duas pessoas em decorrência da vacinação. A suspeita é que os dois pacientes estivessem com o sistema imunológico comprometido. Indicada para pessoas entre nove meses e 59 anos de idade, a vacina contra a febre amarela pode causar um quadro grave, com sintomas similares aos da doença, em idosos ou pessoas imunocomprometidas. Efeitos adversos graves como esse, no entanto, são raros.

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Em boletim epidemiológico publicado em junho deste ano, o Ministério da Saúde informou que foram registradas até aquele momento apenas 50 mortes em decorrência da imunização contra a Covid-19. Isso corresponde a cerca de um óbito para cada 10 milhões de doses aplicadas, o que prova que os imunizantes são seguros.

A peça de desinformação também foi desmentida pelo Estadão Verifica.

Referências:

1. Globoplay (SP1)
2. G1
3. O Estado de S.Paulo
4. Ministério da Saúde

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