Sites que incentivam atos golpistas usam Google para anunciar e lucrar

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Dois sites hiperpartidários que incentivam manifestações golpistas utilizaram o Google Ads e o Google AdSense, plataformas publicitárias da empresa, tanto para lucrar com a exibição de banners como para anunciar conteúdos de cunho antidemocrático. O Google diz proibir conteúdos que vão de encontro às políticas da empresa, mas não comentou o caso específico.

Desde 12 de novembro, links que levam aos sites Patriota News e Diário Nordeste foram inseridos em páginas que utilizam o Google AdSense como forma de monetização.

Ambos possuem identidade visual parecida, publicam conteúdos idênticos e foram criados em setembro deste ano. Além de serem anunciantes no Google Ads, os sites também utilizam o Google AdSense para ganhar dinheiro, exibindo anúncios em suas páginas, além de pedirem doações via Pix.

Na quinta (8), os sites divulgaram carta assinada por manifestantes acampados em frente a quartéis que querem uma intervenção militar. O documento foi lido no auditório da Câmara dos Deputados pelo cacique Rony Pareci e outros líderes dos protestos não identificados e pede que “o presidente da República ou Forças Armadas se manifestem na direção de (…) anular o pleito”. O documento convoca a “tomada de Brasília” e uma “paralisação de todo o Brasil” caso os pedidos não sejam atendidos.

De acordo com a política de combate a “declarações não confiáveis e prejudiciais” do Google AdSense, a empresa diz proibir a inserção de anúncios em sites que veiculam conteúdo que “faça afirmações comprovadamente falsas e que possa prejudicar de forma significativa a participação ou a confiança no processo eleitoral ou democrático”.

A empresa elenca exemplos como:

  • “informações sobre processos de votações públicas”;
  • "qualificação de candidatos políticos com base na idade ou local de nascimento”;
  • e “resultados eleitorais ou dados do Censo que contradizem os registros oficiais do governo”.

Questionado, o Google não comentou os casos identificados por Aos Fatos.

A empresa afirmou em nota que possui “políticas robustas que determinam as regras para pessoas e empresas que utilizam o Google Ads para anunciar produtos e serviços e que usam o Google AdSense para monetizar seu conteúdo” e disse agir “imediatamente” quando identifica violações.

A reportagem procurou o autor dos anúncios no Google, mas não teve resposta. Após o contato do Aos Fatos, o anúncio do site Diário Nordeste saiu do ar. A propaganda do Patriota News permanecia no ar até esta segunda-feira (12).

Rede. Os dois sites pertencem a Antonio Claudio Gusmão, que pagou pelas propagandas no Google, mas nas redes sociais ele se apresenta como jornalista de outro site, o Agora Notícias Brasil.

Com 44 mil seguidores no Twitter, a página existe desde 2016 sob o comando de Gusmão e da influenciadora bolsonarista Rose Barros. Entre junho e julho, o Agora Notícias Brasil também fez anúncios no Google Ads que convidaram apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) a seguirem o canal no YouTube.

Durante a campanha, o site anunciou apoio ao então candidato à reeleição e desde a derrota nas urnas incentiva manifestações golpistas contra o resultado.

Na terça-feira (6), o Agora Notícias Brasil fez uma transmissão ao vivo em que deu a entender que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impediu a auditoria das Forças Armadas — o que é falso — e mostrou imagens das manifestações pelo país. “A gente não pode esmorecer. É dia após dia”, disse Gusmão.

Ao contrário do Patriota News e do Diário Nordeste, o Agora Notícias não lucra com o Google AdSense, mas exibe anúncios de outras plataformas para monetizar o conteúdo. O site também pede doações via Pix e mantém uma página de financiamento coletivo no Apoia.se, que recebe um percentual das doações.

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