Por que ondas de calor se tornaram recorrentes no país?

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O inverno de 2023 vem sendo marcado por ondas de calor que se sobrepõem a cada semana. O clima ameno – e, por vezes, gelado – presente nos meses de julho, agosto e setembro pouco esteve presente na estação deste ano, que por apenas 0,1ºC não atingiu a mesma média de temperaturas do verão. Tudo isso tem a ver com as mudanças climáticas, também aceleradas por recordes de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

O novo vídeo do #AosFatosNOAR explica por que as ondas de calor se tornaram tão frequentes, ao ponto de mudar as previsões das estações do ano no Brasil. Assista:

Clima extremo. Entre outubro de 2020 e maio de 2021, o Brasil já havia registrado o menor volume de chuvas dos últimos 91 anos. Em agosto deste ano, São Paulo enfrentou um inverno com temperaturas até 7 graus acima do previsto para a época, e quase atingiu a marca do dia mais quente dos últimos 80 anos. No Rio de Janeiro, o dia mais quente do inverno – até agora – teve apenas 0,1ºC de diferença do dia mais quente do verão, enquanto, em de setembro, dezenas de pessoas já haviam morrido por causa de enchentes no Rio Grande do Sul.

Para entender esse processo é necessário olhar para a Amazônia, que tem papel fundamental na regulação do clima do Brasil e do mundo. É ela quem equilibra o ciclo de chuvas, estabiliza temperaturas e absorve grande quantidade de carbono, que quando não é absorvido, segue livre na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

A floresta amazônica atrai a umidade evaporada do oceano Atlântico e a transforma em chuva no continente. Por meio da transpiração das árvores e plantas, a água precipitada retorna para ar de novo como vapor. Essa massa de ar úmido também é empurrada pelo vento, criando um fenômeno chamado rios voadores, que permite que chova em outras partes do mundo e que a temperatura seja regulada.

Desmatamento desenfreado. Segundo a avaliação do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em 2022 a Amazônia teve a maior taxa de desmatamento dos últimos 15 anos, tendo sido esse o quinto recorde consecutivo de destruição do bioma. E, dois meses depois, em fevereiro de 2023, foi registrado o pior fevereiro dos últimos 16 anos. Proporcionalmente, nesse mês recorde, foi desmatada uma área equivalente ao tamanho da cidade de Belo Horizonte (MG).

A devastação da Amazônia reduz a área da floresta e, consequentemente, diminui a capacidade do bioma de espalhar umidade para outras regiões e de reter gases que provocam o aquecimento global. Assim, além de desregular as temporadas chuvosas e provocar secas mais longas, o Brasil também fica mais suscetível a eventos extremos, como tempestades, estiagens e ondas de calor.

Um mapa interativo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), permite observar, em tempo real, as áreas de desmatamento da floresta. Uma imagem capturada no fim de agosto, por exemplo, mostra o processo de degradação do bioma de duas formas.

  • Desmatamento por corte raso: representado pelos pontos pretos, esse tipo de desmatamento resulta da remoção completa da cobertura florestal em um curto intervalo de tempo. Nesse processo, a floresta é totalmente removida e substituída por outras coberturas e usos, como pastagem, cidades e hidrelétricas.
  • Desmatamento por degradação florestal: representado no mapa pelas áreas verdes, esses trechos representam um processo mais lento e também mais estratégico de devastação do bioma. Nesse caso, primeiro são retiradas as madeiras mais nobres; depois as madeiras para a construção civil; aí são retiradas as madeiras leves, para compensados e placas, enquanto se planta capim, no qual 50% da área florestal já foi perdida. Depois, outros processos são adicionados como a chegada do gado e as queimadas recorrentes, até que a floresta deixe de existir.

E quando um gramado liso se instala onde deveria ter floresta de pé, as condições favorecem mudanças extremas no clima brasileiro, com a Terra se tornando cada vez mais quente.

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