Papa Francisco não defendeu que ladrões roubem ricos para conter avareza

Por Marco Faustino

26 de janeiro de 2024, 18h38

Não é verdade que o papa Francisco tenha dito que defenderia Barrabás, personagem bíblico acusado de crimes, e tenha apoiado a prática do roubo contra a avareza dos ricos. As peças de desinformação com essas alegações tiram de contexto um recente discurso em que o pontífice refletiu sobre o apego ao dinheiro, que, segundo ele, impede o homem de ser generoso. Francisco não disse que o roubo é bom contra ricos, e sim que a ação de ladrões pode servir de aviso para que as pessoas acumulem menos riquezas e mais virtudes, que não podem ser roubadas por bandidos.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 1.100 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (26). As peças de desinformação também circulam no Telegram, onde somam milhares de visualizações.


Selo falso

Papa defenderia Barrabás: em pregação, Francisco defende ladrões e diz que o roubo é bom pra lembrar avareza dos ricos.

Posts tiram de contexto discurso do Papa Francisco para fazer crer que o pontífice defendeu que ladrões roubem ricos como medida contra a avareza, o que é falso

Um discurso feito pelo papa Francisco em 24 de janeiro, durante a mais recente Audiência Geral — tradicional encontro semanal do pontífice com os fiéis às quartas-feiras —, tem sido tirado de contexto por publicações nas redes. Elas alegam que o pontífice disse que defenderia o personagem bíblico Barrabás, acusado de ser ladrão e assassino, e que o roubo é uma forma de conter a avareza dos ricos. Francisco não citou Barrabás nem defendeu ladrões, tampouco enalteceu o roubo como uma boa prática contra ricos.

Logo no início da Audiência Geral, Francisco disse que a avareza — apego excessivo ao dinheiro — não ocorre apenas com as pessoas que possuem grandes patrimônios, mas que é um “vício transversal, que muitas vezes nada tem a ver com o saldo da conta corrente”. O pontífice afirmou ainda que a avareza se tratava de uma doença do coração e citou uma reflexão feita por monges do deserto, de que ao morrer ninguém leva consigo riquezas materiais.

“Por mais que uma pessoa acumule bens neste mundo, de uma coisa estamos absolutamente certos: que eles não caberão no caixão. Não podemos levar os bens conosco”, disse Francisco.

Na sequência, o papa recordou a pregação de Jesus no Sermão da Montanha — conjunto de lições de conduta e moral que normatizam e orientam a vida cristã — quando ele pede para não acumularmos tesouros na terra, mas sim tesouros no céu. Nesse momento, o pontífice diz que, ainda que as ações de ladrões seja censuráveis — ou seja, condenáveis —, podem se tornar uma admoestação salutar (uma advertência edificante ou um aviso) para que se pense menos em acumular riquezas, e mais virtudes, que não podem ser roubadas pelos ladrões.

Leia mais
Nas Redes Papa Francisco não defendeu sacrificar alcoólatras e autistas para evitar mudanças climáticas
Nas Redes Foto que mostra papa Francisco com jaqueta branca foi gerada por inteligência artificial

Em nenhum momento, porém, Francisco enaltece a prática do roubo ou diz que a ação de bandidos é aceitável contra a avareza dos ricos.

“No fim devemos dar o nosso corpo e a nossa alma ao Senhor, deixando tudo. Tenhamos cuidado! E sejamos generosos, generosos com todos e generosos com aqueles que mais precisam de nós”, finalizou Francisco.

Leia mais
WHATSAPP Inscreva-se no nosso canal e receba as nossas checagens e reportagens

Referências:

1. Vaticano
2. Vatican News
3. Educris

Topo

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.