OMS não disse que vacinas não são necessárias para crianças e adolescentes saudáveis

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Não é verdade que a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou uma orientação que desaconselha a vacinação de crianças e adolescentes saudáveis contra a Covid-19. Publicações que fazem essa alegação tiram de contexto as diretrizes divulgadas por um comitê da entidade para que países priorizem a imunização de grupos de alto risco, como idosos e indivíduos com comorbidades, e avaliem a realidade local antes de vacinar crianças e adolescentes saudáveis. A OMS considera os imunizantes seguros e eficazes.

Publicações que distorcem o comunicado somavam 31 mil curtidas no Instagram nesta sexta-feira (31) e circulam também no Telegram.


Selo não é bem assim

As vacinas contra a Covid não são necessárias para crianças e adolescentes saudáveis, diz Organização Mundial da Saúde

Posts distorcem orientação de comitê da OMS para alegar que não é mais necessário vacinar crianças e adolescentes saudáveis

Posts que circulam nas redes distorcem uma orientação do Sage, comitê estratégico de especialistas em imunização da OMS, para alegar que a entidade afirma não ser mais necessário vacinar crianças e adolescentes saudáveis contra a Covid-19. As diretrizes divulgadas, no entanto, apenas recomendam que os países priorizem a imunização de grupos de alto risco e avaliem a realidade local antes de imunizar jovens sem problemas de saúde. Segundo o órgão, as vacinas contra o Sars-CoV-2 são seguras e eficazes.

Após reuniões ocorridas entre os dias 20 e 23 março, o Sage emitiu um comunicado que classificou a população em três categorias de risco:

  • Alto: idosos (acima de 60 anos), pessoas imunocomprometidas ou com comorbidades, como diabetes e doenças cardíacas (incluindo crianças a partir de seis meses de idade), gestantes e profissionais de saúde;
  • Médio: adultos saudáveis (abaixo de 60 anos) e crianças com comorbidades que não aumentam o risco em caso de infecção pelo Sars-CoV-2;
  • Baixo: crianças e adolescentes saudáveis entre seis meses e 17 anos de idade.

Para os indivíduos do grupo de alto risco e os profissionais de saúde que atuam na linha de frente, são recomendadas as duas doses primárias e doses de reforço a cada seis ou 12 meses, dependendo da idade e das condições de saúde. Para o grupo de médio risco, a recomendação é de duas doses primárias e apenas uma dose de reforço.

Já em relação ao grupo de baixo risco, o comitê reconhece os benefícios do esquema vacinal, mas recomenda que os países levem em consideração fatores como os riscos da doença e a relação custo-efetividade antes de decidirem vacinar ou não os indivíduos.

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No comunicado, o Sage considera que há atualmente um alto nível de imunidade da população em geral contra a Covid-19 e que a variante Ômicron, predominante no mundo, não causa infecções graves na maior parte dos casos. Seria importante, então, garantir a oferta de vacinas para a população que corre mais riscos ao se contaminar com a doença.

Contatado pelo Aos Fatos, o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e membro do Sage, ressaltou que as estatísticas da Covid-19 no Brasil tornam a vacinação para crianças e adolescentes necessária. “O Brasil tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil por Covid-19 no mundo. O risco de uma criança morrer no Brasil é dez a 15 vezes maior do que em países como os Estados Unidos e a Inglaterra”.

Já a biomédica Mellanie Fontes-Dutra aponta que ainda são necessários estudos para entender a extensão das sequelas pós-Covid e o papel das vacinas e das doses de reforço sobre a Covid longa.

Referências

  1. OMS

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