Não existe filme de 1963 chamado 'A variante ômicron'; pôster é montagem

Por Luiz Fernando Menezes

2 de dezembro de 2021, 18h04

Não é verdade que exista um filme de 1963 chamado “A variante ômicron”, como sustentam publicações nas redes sociais (veja aqui). O pôster da suposta produção é uma montagem feita com o cartaz de “Fase IV: Destruição”, um longa de ficção científica lançado em 1974. No Twitter, a roteirista Becky Cheatle disse ter criado a imagem como uma piada.

Publicações com a montagem e a alegação enganosa sobre sua origem acumulavam mais de 7.000 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (2).


Selo falso

Publicações nas redes sociais enganam ao tratar como real o pôster de um filme chamado “A variante ômicron” e dizer que seria de uma produção lançada em 1963. O cartaz é uma montagem feita sobre o material de divulgação em espanhol de “Fase IV: Destruição”, um longa-metragem de ficção científica que estreou em 1974 nos EUA.

O pôster do filme original está à venda no site todocoleccion. O título “The omicron variant” e a frase “The day the earth was turned into a cemetery” foram inseridos digitalmente sobre o cartaz. A montagem apresenta ainda marcas marrons no topo superior esquerdo, como as que aparecem no produto vendido no site (veja abaixo).


Compare. Imagem mostra elementos idênticos entre a montagem (à esq.) e o pôster original (à dir.).

A roteirista Becky Cheatle afirmou no Twitter neste domingo (28) que é a autora da montagem. Ela disse ter criado a imagem como uma piada. Além de “Fase IV: Destruição”, uma postagem de Cheatle na plataforma traz outras duas edições feitas com os cartazes dos filmes “The Andromeda Strain” e “Colossus”.

Dirigido por Saul Bass, “Fase IV: Destruição” não trata de uma infecção por vírus, mas de uma guerra entre humanos e formigas do deserto, que desenvolveram uma inteligência coletiva excepcional. Os cartazes do filme em inglês também não se parecem com a imagem compartilhada nas redes sociais.

O nome da variante do novo coronavírus descoberta por cientistas da África do Sul vem da letra grega ômicron. A decisão de nomear as cepas por meio do alfabeto grego foi anunciada em maio deste ano pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para facilitar a comunicação sobre a Covid-19.

Esta peça de desinformação também foi verificada no Brasil pelo Fato ou Fake e pela AFP Checamos.

Referências:

1. Todocolección
2. Twitter (Fontes 1 e 2)
3. IMDB (Fontes 1 e 2)
4. OMS

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