Médicos que operaram Lula não foram executados

Por Luiz Fernando Menezes

24 de novembro de 2023, 17h53

É falso que os profissionais responsáveis por realizar um procedimento cirúrgico no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em setembro deste ano foram executados. Peças de desinformação que circulam nas redes alegam que a operação teria sido conduzida pelos três médicos assassinados no Rio de Janeiro no início de outubro, o que não é verdade. Ocorrida no Hospital Sírio-Libanês, a cirurgia de Lula foi chefiada pelo ortopedista Giancarlo Polesello, que está vivo.

Os posts enganosos acumulavam mais de 12 mil compartilhamentos no Facebook e milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta sexta-feira (24).


Selo falso

O cidadão tá aí na presidência e opera do quadril, houve uma intervenção nas pálpebras e também teve outra intervenção aqui que eu não quero mencionar… Esses médicos operaram esse cidadão, fizeram todo o procedimento, e alguns dias depois esses médicos foram executados. Por quê? Pra quê? O que esses médicos viram? O que esses médicos descobriram para que eles pudessem ser executados?

Homem sugere, em vídeo no TikTok, que assassinaram médicos que operaram Lula para ‘esconder’ algo sobre a identidade do presidente

São mentirosas as publicações que afirmam que os médicos responsáveis pela cirurgia de Lula no final de setembro teriam sido executados após o procedimento. As peças alegam que os três homens assassinados em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no dia 5 de outubro, seriam os profissionais do Sírio-Libanês que operaram o quadril e as pálpebras do presidente, o que não é verdade.

Segundo informações divulgadas pelo hospital, pela imprensa e pelo Planalto, a equipe responsável pelos procedimentos cirúrgicos de Lula foi chefiada pelo ortopedista Giancarlo Polesello e contou com a presença de mais seis médicos, entre eles Roberto Kalil Filho, Eliana Forno e Ana Helena Germoglio. Todos os quatro profissionais identificados estão vivos.

Já os três homens executados no Rio de Janeiro no início de outubro eram:

  • Diego Ralf Bomfim, irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-RJ) e ortopedista da Rede D’Or, em São Paulo;
  • Marcos de Andrade Corsato, ortopedista do Sírio Libanês, em São Paulo, que não participou da cirurgia de Lula, conforme afirmou a assessoria do hospital;
  • E Perseu Ribeiro Almeida, ortopedista do Hospital Geral de Ipiaú (BA).

De acordo com a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os três médicos foram assassinados por engano: um deles – Perseu Almeida – foi confundido com o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa. O quiosque onde foram atacados era próximo à residência de Barbosa.

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Essa alegação enganosa faz parte de uma teoria conspiratória que afirma que Lula morreu e foi substituído por um sósia, que agora ocupa a Presidência da República. Não há, no entanto, nenhum indício de que isso seja verdade.

Referências:

1. G1 (1 e 2)
2. Hospital Sírio-Libanês
3. Planalto
4. Agência Brasil
5. Estado de S. Paulo

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