Não há registros de que embaixador da Hungria mandou ‘reclamarem na ONU’ sobre estadia de Bolsonaro

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Não há registros públicos de que o embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, tenha dito que os insatisfeitos com a estadia de Bolsonaro na embaixada do país em Brasília deveriam reclamar na ONU, como tem sido veiculado nas redes. Aos Fatos não localizou quaisquer declarações de teor igual ou semelhante feitas por Halmai na imprensa e na página da embaixada no país.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 25 mil compartilhamentos no Facebook, 12 mil visualizações no Telegram e 2.000 compartilhamentos no X (ex-Twitter) até a tarde desta quarta-feira (27). As peças enganosas circulam também no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).

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Selo falso

“Bolsonaro? Sim, esteve. Recebo quem eu quiser. Reclame na ONU. Embaixada é território do meu país, entra quem eu quiser e vocês não podem fazer absolutamente nada a respeito” — frases atribuídas a Miklós Halmai, embaixador da Hungria no Brasil

Posts difundem imagens com supostas declarações de Miklós Halmai sobre visita de Bolsonaro à imprensa; não há registros públicos, no entanto, que o diplomata tenha dado as declarações

Posts nas redes difundem uma imagem contendo supostas declarações do embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, como se fossem respostas à reportagem publicada na segunda-feira (25) pelo New York Times sobre a passagem de Bolsonaro pela embaixada húngara em Brasília. O ex-presidente brasileiro esteve na área residencial do prédio entre os dias 12 e 14 fevereiro. Na imagem há algumas frases, como: “Recebo quem eu quiser”, “Reclame na ONU” e “Embaixada é território do meu país, entra quem eu quiser”. Não há registro público de que Halmai tenha dito algo semelhante.

Aos Fatos não localizou, até a publicação desta checagem, qualquer entrevista ou declaração pública de Miklós Halmai na imprensa sobre o episódio revelado pelo New York Times. Tampouco há qualquer informação disponível na página da embaixada da Hungria no Brasil.

Por meio de busca reversa, o Aos Fatos verificou que circula desde 2020 nas redes sociais a foto em que Miklós Halmai aparece com microfones e vem sendo utilizada pelos posts enganosos. A imagem tem sido tratada pelas peças de desinformação como prova de que o embaixador teria feito as declarações. Na época, Miklós era embaixador em Cabo Verde.

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Ainda na segunda-feira, Miklós Halmai compareceu ao Itamaraty para prestar esclarecimentos sobre a estadia de Bolsonaro na embaixada. Não há qualquer registro na imprensa de que Halmai tenha feito qualquer declaração como as que aparecem na imagem difundida pelas peças enganosas.

  • Segundo O Globo, o diplomata húngaro evitou responder a maioria das perguntas do Itamaraty;
  • De acordo com a Reuters, Halmai pouco falou durante o encontro e tratou a hospedagem de Bolsonaro como uma ocorrência corriqueira;
  • O New York Times informou que Halmai disse na reunião que o ex-presidente esteve na embaixada apenas para falar de política;
  • Já relatos feitos à CNN Brasil apontaram que o Halmai ouviu da embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes que “comentários de autoridades húngaras sobre assuntos internos do Brasil eram inapropriados e inadequados pelas práticas da diplomacia”.

Em nota à imprensa, a defesa do ex-presidente confirmou que Bolsonaro se hospedou na embaixada húngara por dois dias em fevereiro e afirmou que ele recebeu o convite “para manter contatos com autoridades do país amigo”.

O Itamaraty afirmou ao Aos Fatos que não divulga o teor de conversas mantidas com diplomatas de outros países. A Embaixada da Hungria não retornou o contato da reportagem.

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