Divulgação/Campanha Pedro Paulo

🕐 Esta reportagem foi publicada há mais de seis meses

Enquanto Pedro Paulo diz valorizar praças, Paes usa espaço para construir clínicas

21 de setembro de 2016, 01h47

O candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, Pedro Paulo, defendeu no horário eleitoral gratuito da última quarta-feira (14) a importância das praças na vida dos moradores da cidade como espaço de socialização. No entanto, moradores de bairros mais afastados da região central do Rio tiveram que abrir mão dessas áreas de lazer para ter outro direito: o de acesso à saúde.

A Prefeitura do Rio construiu nove Clínicas da Família em praças da cidade durante a administração do prefeito Eduardo Paes (PMDB) — da qual Pedro Paulo fez parte como secretário de governo e deixou para concorrer nas eleições deste ano. Todas essas praças foram feitas nas zonas oeste e norte do município.

O número só não foi maior porque a população do Grajaú e da Ilha do Governador, ambos na zona norte, não aceitou perder parte de suas praças para ter as clínicas. A gestão municipal procurou outros locais. Na Taquara (zona oeste), também houve resistência , mas a clínica foi construída mesmo assim.

A praça tem uma importância enorme na vida da gente. Ali você encontra os amigos, ali você estabelece as suas relações. Como foi, por exemplo, para você, esse período em que a [praça] Varnhagem, a praça Niterói, ficou fechada (sic) durante as obras dos piscinões aqui da praça da Bandeira? — Pedro Paulo (PMDB), durante propaganda eleitoral na TV

O questionamento veio após as imagens mostrarem crianças descendo no escorregador e um grupo da terceira idade fazendo atividades ao ar livre na praça Varnhagem, na Tijuca, zona norte do Rio.

“Agora imagina a Praça Mauá, que era uma área de ponto final de ônibus”, acrescenta Pedro Paulo, antes de levar a eleitora para conhecer o espaço revitalizado que fez sucesso ao abrigar o Boulevard Olímpico e o Museu do Amanhã, na zona portuária, centro da cidade.

Enquanto as praças Niterói, Varnhagem e Mauá ganharam parques, quadras esportivas e museus, os moradores de Cosmos, na zona oeste do Rio, não tiveram a mesma sorte. Para receberem a Clínica da Família Ana Gonzaga, inaugurada em janeiro deste ano, eles perderam parte da praça Ana Gonzaga. Veja, abaixo, ao deslizar a aba, como o local era e como ficou.

A situação é a mesma nas praças Augusto Monteiro (CF Bárbara Starfield), em Del Castilho; José da Matta Pita (CF Joãosinho Trinta), em Vigário Geral; Miguel Pereira dos Santos (CF Lenice Maria Monteiro Coelho), em Santa Cruz; e Professora Santinha (CF Maria de Azevedo Rodrigues Pereira), em Anchieta, onde os prédios das clínicas não deixaram sobrar praticamente nada de área de lazer para os moradores.

Veja, abaixo, a situação da praça José da Matta Pita antes e depois da construção da clínica.

Outras sete clínicas estão em construção em praças de bairros da zona norte e oeste do Rio, segundo informações publicadas no Diário Oficial. Há ainda quatro unidades de saúde previstas para serem erguidas nas praças África do Sul, na Taquara; Corrupião, em Santíssimo; Herculano Pena, em Cavalcante; e Grande Otelo, em Olaria.

Outro lado. Questionado pela reportagem, Pedro Paulo afirmou, em nota, que a escolha para os locais das unidades de saúde obedece a critérios técnicos e que a decisão é tomada em conjunto pela Secretaria Municipal de Saúde, pelo Conselho Municipal de Saúde e pelas lideranças comunitárias locais.

“O objetivo é sempre ouvir a população, interferir o menos possível na rotina dos moradores e garantir o máximo de benefícios para a comunidade”, afirmou a Aos Fatos.

O candidato disse ter “muito orgulho” dos investimentos feitos nas zonas norte e oeste. Pedro Paulo mencionou a criação do Parque Madureira e do Parque Radical de Deodoro, além da praça do Trem, em frente ao estádio do Engenhão.

“Com as clínicas da família, a cobertura na atenção primária passou de 3,5% para mais de 55% dos cariocas e vai chegar a 70% até o fim do ano, beneficiando mais de 4 milhões de pessoas, quase todas das zonas Norte e Oeste”, diz a nota.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não houve qualquer desapropriação ou remoção de pessoas para a construção das unidades de saúde, “que chegam a beneficiar, cada uma, até 30 mil moradores”. Segundo a secretaria, neste mês, a prefeitura atingiu a marca das 100 Clínicas da Família, que atendem mais de 3,5 milhões de cariocas.

A Secretaria Municipal de Saúde não informou em que estágio estão as obras de construção das Clínicas da Família que ainda não foram inauguradas.

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.