Marcos Oliveira/Agência Senado

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Dez dos 14 investigados na Lava Jato votaram a favor do impeachment no Senado

Por Tai Nalon e Bárbara Libório

12 de maio de 2016, 09h19

Dos 14 senadores implicados nas investigações da Operação Lava Jato, apenas 3 votaram nesta quinta-feira (12) contra a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Outros dez foram favoráveis ao procedimento, enquanto um se absteve.

A distribuição dos votos obedece o padrão da votação geral. Em ambos os casos, foram 71% de votos favoráveis ao impeachment. Na sessão histórica do Senado, 55 senadores votaram pelo afastamento de Dilma, contra 22.

Fonte: STF e Senado Federal

Aos Fatos checou na última quarta-feira (11) as promessas de voto desses 14 congressistas. A partir de manifestações públicas em suas páginas no Facebook e no Twitter e em sites oficiais e do Senado, a reportagem verificou que sete investigados prometeram votar a favor do impeachment, enquanto três seriam contra o afastamento. Vinte e quatro horas depois, três decidiram pela admissibilidade, enquanto um — o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) — optou por não votar por prerrogativa do cargo.

Renan, aliás, é um dos principais implicados nas investigações da Lava Jato. O presidente do Senado é alvo de nove inquéritos na operação, sob suspeita de ter recebido dinheiro desviado em esquema de corrupção da Petrobras. No entanto, é em outra investigação que a situação do peemedebista pode piorar: o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta quarta que levará “em breve” ao plenário da corte denúncia de 2013, em que é acusado de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso para receber propina da construtora Mendes Júnior. Segundo as investigações, esse dinheiro serviria para pagar as despesas de sua filha num relacionamento extra-conjugal.

Em situação complicada também está a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que votou contra o impeachment. Ela foi denunciada pela Procuradoria Geral da República na última semana sob acusação de ter recebido dinheiro desviado da Petrobras para financiar sua campanha em 2010. A senadora nega qualquer tipo de fraude nas eleições daquele ano. Caso o ministro relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, aceite a denúncia, Gleisi vira ré.

O ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), que sofreu impeachment em 1992, também é um dos senadores denunciados, ao lado de Benedito de Lira (PP-AL). Ambas as denúncias foram oferecidas ainda em 2015, mas o Supremo ainda não se manifestou a respeito delas. Ambos os congressistas votaram a favor do impeachment.

Também acumula processos na Lava Jato o senador Aécio Neves (PSDB-MG), com dois inquéritos abertos e mais um outro pedido de autorização para investigação encaminhado na semana passada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF. Nesta quarta, o ministro Gilmar Mendes autorizou a abertura de investigação contra o senador para apurar a suspeita de que o tucano recebeu propina em Furnas, subsidiária da Eletrobras. O tucano alega, via assessoria, que as investigações demonstrarão “a correção da sua conduta”.

Com exceção do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), cujo processo foi arquivado, os demais senadores são alvo de investigação em um inquérito cada. As suspeitas variam entre recebimento de propina para fins particulares e eleitorais.

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