Ministra Anielle Franco não atribuiu chuvas a racismo ambiental

Por Luiz Fernando Menezes

16 de janeiro de 2024, 16h11

Não é verdade que a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que a culpa das chuvas seria o “racismo ambiental e climático”, como afirmam publicações nas redes. Ela, na verdade, tuitou que essa expressão seria uma das explicações por trás da tragédia causada pelas enchentes no Rio de Janeiro, uma vez que as zonas mais atingidas eram locais mais pobres e, segundo a ministra, com população majoritariamente negra.

Publicações com a fala descontextualizada acumulavam mais de 5.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (16).


Selo falso

Ministra de Lula vira chacota após atribuir chuvas a ‘racismo ambiental e climático’

Foto de Anielle Franco circula no X com distorção de sua fala sobre ‘racismo ambiental e climático’

Em uma tentativa de ridicularizar a ministra Anielle Franco, publicações nas redes sociais têm distorcido uma afirmação dela sobre as fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro no último final de semana. As peças sugerem que a ministra teria culpado o “racismo ambiental” pelo grande volume de água que caiu na região, o que não é verdade.

Na manhã de domingo (14), Franco publicou no X (ex-Twitter) que estava “acompanhando os efeitos da chuva de ontem nos municípios do Rio e o estado de alerta com as iminentes tragédias, fruto também dos efeitos do racismo ambiental e climático” (veja abaixo).

Em nenhum momento, portanto, ela disse que as chuvas foram causadas pelo “racismo ambiental”. Para a ministra, o fator teria sido um dos agravantes da destruição causada pela chuva na região – e não a causa do próprio fenômeno meteorológico.

O temporal que atingiu a Região Metropolitana do Rio de Janeiro no último final de semana matou ao menos 12 pessoas, além de ter destruído casas e veículos e ter causado enchentes. Até ontem, duas pessoas ainda estavam desaparecidas.

O que é racismo ambiental? Trata-se de uma expressão usada pelo menos desde a década de 1980 para se referir a como desastres ambientais e climáticos impactam regiões de maneira desigual: populações mais periféricas, pobres e negras costumam sofrer mais danos do que quem mora em bairros mais ricos e predominantemente brancos.

Segundo um artigo do CEE (Centro de Estudos Estratégicos) da Fiocruz, o racismo ambiental “se manifesta de várias formas, como por exemplo, na localização de lixões e aterros sanitários próximos a comunidades de baixa renda e majoritariamente compostas por pessoas negras e indígenas, na poluição do ar em bairros mais pobres, na falta de acesso a água potável e saneamento básico em comunidades rurais e periféricas, entre outros casos”.

A própria ministra, na segunda-feira (15), publicou um vídeo para explicar sua fala com mais detalhes (veja abaixo). Franco argumenta que as cidades mais atingidas são locais onde vivem pessoas majoritariamente negras e que não têm árvores, sistema de escoamento de chuva ou um saneamento eficaz.

Ataques. A fala de Franco resultou em uma série de críticas à ministra por parte de usuários e congressistas (veja abaixo). A expressão “São Pedro raciste” que aparece nas peças de desinformação, inclusive, nunca foi dita por Franco. Na verdade, ela apareceu em um tuíte que debochava da argumentação da ministra.

Seis exemplos de comentários no Instagram que atacaram a fala de Franco, como ‘São Pedro será convocado para a CPI da chuva’ e ‘tem que ser analfabeta’
‘48h para São Pedro’. Exemplos de comentários que criticaram fala de Franco (Reprodução/Instagram)

Referências:

1. X (@aniellefranco 1 e 2)
2. g1
3. NRDC
4. Nexo
5. Fiocruz

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