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82 fatos que mudaram o país entre o pedido de Janot e o afastamento de Cunha

Por Tai Nalon e Sérgio Spagnuolo

6 de maio de 2016, 12h02

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em 16 de dezembro do ano passado. A solicitação foi analisada nesta quinta-feira (15) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), com desfecho negativo para o deputado: suspenso do mandato, destituído do cargo e réu em ação criminal, o peemedebista corre o risco de não voltar à Câmara. Porém, nesse mesmo período, uma escalada sem precedentes de eventos permitiu que outras narrativas políticas começassem e terminassem com impressionante velocidade, enquanto o caso Cunha repousava na corte superior sob escrutínio do ministro Teori Zavascki.

Aos Fatos documentou mais de 80 grandes fatos que tiveram impacto na vida política do país desde que o pedido de afastamento recebeu a assinatura de Janot. Viu que, em menos de cinco meses, uma série de fatos no âmbito da Operação Lava Jato teve início, meio e fim, sendo que a maior parte dizia respeito a investigações circunscritas a instâncias inferiores da Justiça. O exemplo mais eloquente foi a investigação contra o marqueteiro do PT, João Santana. Alvo de do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, passou a investigado em fevereiro, foi alvo de busca e apreensão no mesmo mês. Ainda em fevereiro foi preso e passou a denunciado à Justiça no fim de março.

Também no mesmo período entre o pedido de Janot e o afastamento de Cunha, procuradores denunciaram elo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Lava Jato, resultando numa escalada de eventos entre os meses de abril e março que, entre outras consequências, o deixaram até agora numa espécie de limbo entre sua posse como ministro da Casa Civil e a possibilidade de foro privilegiado.

Nesse intervalo, Aos Fatos apurou também que Teori se manifestou publicamente sobre o caso três vezes: uma em dezembro, para avisar que qualquer julgamento sobre Cunha ficaria para 2016; outra em abril, quando disse que não tinha prazo para colocar o caso em análise; e, nove dias depois, quando disse que a corte deveria se manifestar a respeito da possibilidade de o peemedebista ocupar a Presidência da República.

Em contrapartida -- e isso pesou no voto de Teori --, Cunha foi associado a manobras no Conselho de Ética da Câmara pelo menos quatro vezes desde 16 de dezembro. Em duas das ocasiões, em fevereiro e abril, usou seu aliado, Waldir Maranhão (PP-MA), agora presidente interino da Casa, para protelar o processo. O início do trâmite antecede o pedido de Janot e excede, a partir desta quinta-feira, a decisão pelo seu afastamento.

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