É de 2019, não atual, vídeo em que Bolsonaro nega relação com assassinato de Marielle Franco

Por Marco Faustino

26 de janeiro de 2024, 15h15

Não é verdade que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha concedido uma entrevista recente em que tece críticas à Globo por relacioná-lo à morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), como alegam publicações nas redes. As peças difundem, na realidade, um trecho de uma live feita por Bolsonaro em 2019, na qual o então presidente se defendeu após ser citado no depoimento de um porteiro do condomínio onde morou. Na época, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que o porteiro deu informação falsa e desassociou Bolsonaro do crime.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 40 mil visualizações no TikTok e 5.000 curtidas no Instagram até a tarde desta sexta-feira (26).


Selo falso

Em entrevista, [o ex-presidente] Bolsonaro trí inelegível está muito nervoso! Sabemos pq né gentemmm???? Eu quero ver é o circo pegar fogo! Passou da hora!

Posts compartilham live antiga de Bolsonaro como se fosse entrevista recente na qual o ex-presidente reagiu de maneira agressiva sobre suposta relação com o assassinato de Marielle Franco

Posts difundem como se fosse recente um trecho de uma live de Bolsonaro, de 29 de outubro de 2019, para fazer crer que ele tem participação no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Na ocasião, o então presidente criticou uma reportagem do Jornal Nacional, da Globo, que deu detalhes do depoimento de um porteiro do Vivendas da Barra, condomínio em que Bolsonaro morou no Rio de Janeiro. O funcionário afirmou ter falado por duas vezes com Bolsonaro para confirmar a entrada de Élcio de Queiroz, acusado de participação no crime. O MP-RJ disse que o porteiro prestou informação falsa, e não associou Bolsonaro aos assassinatos.

A reportagem da Globo mostrou que havia contradições no depoimento do porteiro: registros de presença na Câmara dos Deputados e vídeos publicados nas redes apontavam que Bolsonaro estava em Brasília na data relatada pelo funcionário.

Posteriormente, o MP afirmou que o porteiro forneceu informações falsas e desassociou Bolsonaro do crime. Em novo depoimento, inclusive, o funcionário disse que se equivocou. Além disso, um laudo da Polícia Civil, assinado por seis peritos, apontou que a voz que liberou a entrada de Queiroz era do policial reformado Ronnie Lessa, morador do mesmo condomínio e apontado como executor do assassinato de Marielle e Anderson Gomes.

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Segundo reportagem publicada na última terça-feira (29) pelo Intercept Brasil, Ronnie Lessa teria dito em delação que ainda não homologada pela Justiça que Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e ex-deputado estadual, foi o “autor intelectual” do crime. Brazão já tinha sido citado pela PF (Polícia Federal) como um dos supostos mandantes e, em setembro de 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também via indícios de “autoria intelectual”. Ele nega ligação com o crime.

Em declaração ao site Metrópoles, Bolsonaro afirmou que estava aliviado com a delação de Lessa. “Para mim, é um alívio. Bota um ponto final nessa história. Em 2019, tentaram me vincular ao caso e me apontar como mandante do crime. Teve o tal do porteiro tentando vincular a mim [Lessa e Bolsonaro moravam no mesmo condomínio, na Barra da Tijuca, no Rio]. Eu estava na Arábia na ocasião e fui massacrado”, afirmou o ex-presidente.

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Referências:

1. Facebook (@Jair Bolsonaro)
2. g1 (Fontes 1, 2 e 3)
3. Folha de S. Paulo
4. Valor Econômico
5. Intercept Brasil
6. UOL (Fontes 1, 2 e 3)
7. Metrópoles

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