Em reação ao STF, bolsonaristas ensinam a burlar bloqueio ao Telegram e migram para outras redes

Por Bianca Bortolon, Débora Ely, Ethel Rudnitzki, João Barbosa e Milena Mangabeira

18 de março de 2022, 18h57

Em reação ao bloqueio do Telegram determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), canais bolsonaristas que atuam no aplicativo passaram a divulgar estratégias de como driblar a decisão e a tentar encaminhar seus seguidores para plataformas alternativas — principalmente o Gettr, fundado por um ex-assessor do presidente Donald Trump.

A reportagem analisou a reação de 70 canais com ao menos 5.000 participantes monitorados pelo Radar Aos Fatos. Desses, ao menos 16 sugeriram que seus seguidores burlassem o bloqueio por meio do uso de um servidor proxy ou de um VPN (Rede Virtual Privada, na sigla em inglês). As duas soluções encaminham o tráfego do usuário para um intermediário entre seu computador e o site que ele quer visitar. Na prática, isso dificulta que o provedor de internet saiba qual endereço uma pessoa está acessando.

Mensagens com esse teor circularam acompanhadas de tutoriais em imagens e texto. “Compartilhe com todos que usam o Telegram!!!! Manual anti-censura para o Telegram em smartphones”, dizia uma postagem encaminhada em um grupo de apoiadores de Bolsonaro chamado SUPER GRUPO B-38 OFICIAL, com mais de 64 mil integrantes.

Outra abordagem, usada por ao menos 19 canais analisados, foi iniciar uma campanha para que seus seguidores migrassem para outras redes sociais. O mais citado foi o aplicativo Gettr, mencionado sete vezes. Fundada por Jason Miller, ex-assessor do ex-presidente dos EUA Donald Trump, a plataforma se posiciona como defensora da “liberdade de expressão”.

“Nosso trabalho continuará no Gettr, sigam todos para lá”, escreveu o administrador do canal “O Informante”, que tem mais de 104 mil inscritos, em uma mensagem acompanhada da notícia sobre o bloqueio. Grupos que disseminam teorias conspiratórias comunicaram também a abertura de grupos no Signal, outro aplicativo de mensagens. Houve ainda menções a outras redes, como Instagram (3), Gab (2), Twitter (2), Viber (2), Rumble (2), Facebook (2), Hotmart (1), Discord (1) e Kakao (1).

Até as 18h desta sexta-feira, canais e grupos do Telegram monitorados pelo Radar Aos Fatos seguiam ativos. A exceção era a conta reserva do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, criada após ele ser banido da plataforma devido a outra decisão de Moraes, no final de fevereiro. O perfil, que reunia mais de 31 mil inscritos, exibe, agora, a mensagem “não existe conta no Telegram com o nome de usuário @allandossantos2”.

Colaborou o tecnologista Lucas Lago.

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