Bolsonaristas eleitos banidos de redes usam até perfil de cônjuge para driblar TSE

Por Bianca Bortolon, Ethel Rudnitzki e Milena Mangabeira

24 de novembro de 2022, 12h48

Parlamentares banidos de redes sociais pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estão contornando as decisões judiciais ao distribuir conteúdos e influenciar o debate por meio de perfis de outras pessoas ou em outras plataformas. A estratégia foi usada nesta semana para amplificar o relatório com informações falsas que o PL, partido de Jair Bolsonaro, apresentou ao tribunal.

Após ter tido a conta no Twitter retida, no início do mês, o deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG) ajudou a levar menções a “Bolsonaro 51%” aos assuntos mais comentados da plataforma na tarde de quarta-feira (22).

“Subam isso no Twitter”, pediu aos mais de 290 mil inscritos no canal dele no Telegram, uma das poucas plataformas em que ainda possui perfil ativo. O tópico recebeu mais de 72 mil menções na plataforma até o final da tarde de terça-feira (21).

O número faz referência ao relatório com informações falsas que o PL apresentou ao TSE com o objetivo de invalidar milhões de votos. Na representação, o partido afirma que os logs de urnas fabricadas antes de 2020 impedem a associação aos boletins de urna, o que é mentira, pois outros dados permitem a identificação. Segundo o PL, Bolsonaro teria 51% dos votos válidos caso o TSE invalidasse todos os votos registrados em urnas de modelos antigos.

O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, multou a coligação de Bolsonaro em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. De acordo com a decisão, Moraes arbitrou o valor da causa em R$ 1,1 bilhão, a partir de quanto a Justiça Eleitoral pagou pelas 279.383 urnas eletrônicas cujos votos o PL buscou invalidar, e calculou a multa em 2% do valor total — chegando a exatos R$ 22.991.544,60.

Eleito deputado federal por Goiás, o youtuber Gustavo Gayer (PL) também utilizou de suas redes não bloqueadas para repercutir a desinformação do documento. No Instagram, ele publicou uma fala do presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, em que afirma que “nas urnas sem possibilidade de verificação Lula ganha”. Na verdade, todos os modelos de urna permitem auditoria e identificação.

  • O Radar Aos Fatos identificou que outros quatro deputados eleitos que tiveram contas retidas conseguiram driblar o bloqueio e disseminar informações falsas relacionadas ao documento do PL;
  • Banidos do Twitter, José Medeiros, Coronel Tadeu e Cabo Gilberto Silva também postaram a desinformação em suas contas ativas no Instagram.

A única parlamentar que precisou utilizar uma estratégia diferente foi a deputada reeleita Carla Zambelli (PL-SP), que teve contas banidas no Instagram, no Facebook, no Twitter, no YouTube, no Telegram e até no Gettr — rede social cujo CEO é um ex-assessor de Donald Trump que mantém relação com a família Bolsonaro. A parlamentar está utilizando as redes do marido dela, o coronel da Polícia Militar do Ceará Aginaldo de Oliveira, para se comunicar com seus seguidores.

Após o anúncio do PL, Zambelli gravou um vídeo em que resume os principais argumentos falsos do documento. Depois que Moraes condicionou a análise do pedido à apresentação de informações relativas ao primeiro turno, ela publicou outro vídeo em que insinua que as eleições brasileiras foram comandadas por um juiz tendencioso, comparando o pleito a uma partida de futebol. A postagem foi amplificada por uma publicação do site hiperpartidário Jornal da Cidade Online.

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