O uso de técnicas de Osint (Open Source Intelligence) – que em português se traduziria por “inteligência baseada em dados abertos”– é uma consequência natural do processo jornalístico, principalmente na checagem de fatos. Todos os repórteres do Aos Fatos, em alguma medida, fazem uso de metodologias Osint para produzir as matérias publicadas no nosso site.
É também uma área que gera muita curiosidade e, diriam alguns, atração pela facilidade de investigar pessoas e empresas do conforto de sua cadeira gamer ou de seu smartphone. Quem nunca usou a dica de olhar a chave Pix de um CPF para descobrir o nome completo de alguém? Ou acessou a base de dados do Jusbrasil para decidir se deve ou não fazer negócio com certa pessoa?
Esses são os primeiros passos tanto para quem deseja mais segurança em um date de Tinder, quanto para quem quer realizar uma investigação capaz de desenrolar histórias de fazer roer as unhas.

Sugestões de segurança. Tuíte viral ensina a descobrir mais informações sobre desconhecidos antes de encontros (Reprodução)
A cada duas semanas, esta newsletter irá mostrar exemplos de como são feitas as investigações baseadas em dados abertos no Aos Fatos. Porém, mais do que saber boas ferramentas ou técnicas para identificar e cruzar informações na internet, o que vai te fazer um bom detetive virtual e não um stalker fofoqueiro é saber quando e quanto essa metodologia pode ser utilizada. E para quê.
Por isso, reservamos a reestreia da newsletter do Radar Aos Fatos para refletir sobre os riscos e responsabilidades relacionados à atividade.
Assine já a nova newsletter do Radar Aos Fatos e receba a cada quinze dias técnicas de investigação com dados abertos.
Não é raro que analistas empolgados com habilidades recém-adquiridas ultrapassem os limites da privacidade alheia ao decidirem investigar personagens que acreditam ser merecedores de sua atenção. É um processo natural, visto que precisamos, muitas vezes, coletar uma grande quantidade de informação para depois separar as informações relevantes daquelas que conseguimos ao acaso.
Outra situação é o chamado crowdsourcing de inteligência, quando uma série de indivíduos se junta para solucionar algum problema. Essa técnica tem sido utilizada nas redes sociais em tentativas de identificar suspeitos de crimes, como nos atentados de Boston e na invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, e de sua versão dublada, o 8 de Janeiro, aqui no Brasil.
No primeiro caso, é necessário cautela para não transformar a atividade de Osint em uma atividade de doxxing — quando informações pessoais ou íntimas são divulgadas para o público, com o propósito de causar alguma forma de dano, ainda que estas informações estejam acessíveis publicamente. O segundo cenário se torna um desastre quando indivíduos errados são identificados como suspeitos de um crime.
Em ambas as situações, devemos sempre lembrar que a internet não perdoa e não esquece, e podemos cometer injustiças caso não seja exercida a devida responsabilidade e nos deixemos levar por vieses pessoais.
É com esses riscos que a nossa equipe se preocupa ao descobrir as histórias que são levadas até vocês na forma de reportagens e checagens. É também com esse cuidado que nós confiamos que vocês, leitores, utilizarão as técnicas e metodologias que apresentaremos nas próximas edições.
FONTES ABERTAS
Se é possível encontrar informações dos outros online, quer dizer que você também pode estar exposto. Por isso, nossa primeira recomendação de leitura é a Cartilha de Segurança para Internet do Cert.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança da Informação), em especial o fascículo Privacidade.
CAIXA DE FERRAMENTAS
- Recebeu alguma imagem no WhatsApp e quer uma solução rápida para descobrir a origem? A dica é usar o Google Lens, que serve para fazer busca reversa;
- No aplicativo do Google, basta clicar no ícone da máquina fotográfica (abaixo, à direita) na barra de pesquisas. Em seguida, selecione a imagem que deseja buscar.



