É falso que Ypê anunciou recorde de vendas após suspensão da Anvisa

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Foi gerado por IA o documento que diz que a Ypê registrou recorde histórico de vendas após a reação à decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de suspender um lote de produtos na semana passada. Além de a imagem conter distorções e erros de informação, a própria empresa negou a autoria do comunicado ao Aos Fatos.

A peça de desinformação acumulava mais de 150 mil visualizações no X, 4.000 compartilhamentos no Facebook e 3.000 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (11).

Ypê: Comunicado oficial - Recorde histórico de vendas.

Imagem de um suposto comunicado oficial da marca Ypê, datado de 09 de maio de 2026, com o título em destaque: ‘COMUNICADO OFICIAL - RECORDE HISTÓRICO DE VENDAS’. O texto afirma que, após uma nota da Anvisa, a empresa teria registrado ‘recorde absoluto de vendas’ em todo o Brasil, superando em mais de 300% a média dos últimos anos. A peça exibe o logotipo da Ypê no topo, um selo vermelho com a frase ‘RECORDE HISTÓRICO DE VENDAS’, um gráfico ascendente em azul e verde, uma assinatura com carimbo de ‘autenticado’ e uma bandeira do Brasil no canto inferior direito.

Publicações têm compartilhado um comunicado falso da Ypê para fazer crer que a reação de bolsonaristas à suspensão de lotes de produtos da empresa pela Anvisa na semana passada teria resultado em um recorde histórico de vendas. O documento não consta no site ou nas redes da Ypê (aqui, aqui e aqui).

Procurada pelo Aos Fatos, a empresa disse que o comunicado é falso: "é falso qualquer comunicado sobre a performance de vendas dos produtos da Ypê. A empresa não emitiu nenhuma mensagem recente sobre isso."

A imagem também tem elementos que indicam se tratar de um conteúdo artificial:

Imagem comparativa de suposto comunicado da Ypê com marcações numeradas apontando possíveis inconsistências. O item 1 destaca o logotipo da empresa e afirma que o nome registrado no CNPJ seria diferente do exibido na imagem. O item 2 aponta caracteres distorcidos, incluindo um ‘n’ com ponto em cima. O item 3 destaca a palavra ‘Nomentro’ no topo do documento, indicando que ela teria sido usada no lugar de ‘Documento’ ou ‘Número’. Na parte inferior da imagem, há uma legenda explicando cada uma das três marcações.

Entenda o caso

No dia 7 de maio, a Anvisa suspendeu a fabricação e comercialização e determinou o recolhimento de alguns produtos da marca Ypê — detergentes, lava-roupas e desinfetantes —, com lotes de numeração final 1. Segundo a agência reguladora, foram constatados descumprimentos que indicavam risco à segurança sanitária.

Close em uma estrutura metálica enferrujada. Na parte superior da imagem, há uma superfície curva amarela com sinais de desgaste e ferrugem. No centro, aparece um compartimento metálico oxidado com resíduos acumulados. À direita, uma peça azul metálica também apresenta desgaste. O chão está com aspecto corroído.
Foto registrada por inspetores da Anvisa mostra corrosão em fábrica da Ypê (Reprodução/Fantástico)

Um dia depois, a Ypê apresentou um recurso contra a resolução e conseguiu que seus produtos voltassem a ser comercializados enquanto a diretoria da Anvisa não julgasse o caso. A análise está prevista para ocorrer nesta quarta (13).

Desde a sexta-feira (8), usuários e parlamentares bolsonaristas — como o senador Cleitinho (Republicanos-MG), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) — têm defendido a empresa nas redes e incentivado o consumo de produtos Ypê, contrariando a orientação da Anvisa.

A estratégia tem sido politizar a questão, mesmo sem provas, ao alegar que a decisão da agência seria uma espécie de vingança do presidente Lula (PT) contra a Ypê, cujos donos doaram para campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa pela imagem que tem sido compartilhada e procurou o documento no site e nas redes oficiais da Ypê. Como não encontramos, fizemos uma análise em busca de indícios de geração artificial.

Também entramos em contato com a assessoria da Ypê, que negou a autoria do documento. Por fim, consultamos reportagens publicadas por outros veículos de imprensa para contextualizar o caso.

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