Foi gerado por IA o documento que diz que a Ypê registrou recorde histórico de vendas após a reação à decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de suspender um lote de produtos na semana passada. Além de a imagem conter distorções e erros de informação, a própria empresa negou a autoria do comunicado ao Aos Fatos.
A peça de desinformação acumulava mais de 150 mil visualizações no X, 4.000 compartilhamentos no Facebook e 3.000 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (11).
Ypê: Comunicado oficial - Recorde histórico de vendas.

Publicações têm compartilhado um comunicado falso da Ypê para fazer crer que a reação de bolsonaristas à suspensão de lotes de produtos da empresa pela Anvisa na semana passada teria resultado em um recorde histórico de vendas. O documento não consta no site ou nas redes da Ypê (aqui, aqui e aqui).
Procurada pelo Aos Fatos, a empresa disse que o comunicado é falso: "é falso qualquer comunicado sobre a performance de vendas dos produtos da Ypê. A empresa não emitiu nenhuma mensagem recente sobre isso."
A imagem também tem elementos que indicam se tratar de um conteúdo artificial:

Entenda o caso
No dia 7 de maio, a Anvisa suspendeu a fabricação e comercialização e determinou o recolhimento de alguns produtos da marca Ypê — detergentes, lava-roupas e desinfetantes —, com lotes de numeração final 1. Segundo a agência reguladora, foram constatados descumprimentos que indicavam risco à segurança sanitária.

Um dia depois, a Ypê apresentou um recurso contra a resolução e conseguiu que seus produtos voltassem a ser comercializados enquanto a diretoria da Anvisa não julgasse o caso. A análise está prevista para ocorrer nesta quarta (13).
Desde a sexta-feira (8), usuários e parlamentares bolsonaristas — como o senador Cleitinho (Republicanos-MG), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) — têm defendido a empresa nas redes e incentivado o consumo de produtos Ypê, contrariando a orientação da Anvisa.
A estratégia tem sido politizar a questão, mesmo sem provas, ao alegar que a decisão da agência seria uma espécie de vingança do presidente Lula (PT) contra a Ypê, cujos donos doaram para campanha de Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca reversa pela imagem que tem sido compartilhada e procurou o documento no site e nas redes oficiais da Ypê. Como não encontramos, fizemos uma análise em busca de indícios de geração artificial.
Também entramos em contato com a assessoria da Ypê, que negou a autoria do documento. Por fim, consultamos reportagens publicadas por outros veículos de imprensa para contextualizar o caso.





