Vitamina C com zinco não previne nem trata sintomas do novo coronavírus

Por Luiz Fernando Menezes

4 de fevereiro de 2020, 16h20


Não é verdade que ingerir vitamina C com zinco ajuda a prevenir ou tratar os sintomas do novo coronavírus, como sustentam publicações no Facebook (veja aqui) e um áudio no WhatsApp. Tanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) quanto o Ministério da Saúde desmentem essa informação em suas recomendações sobre a doença. Ainda não há um remédio para tratar o vírus 2019-nCoV e as medidas preventivas passam por lavar as mãos com frequência e evitar contato com infectados, não pela ingestão de vitamina C com zinco.

O áudio em que uma mulher recomenda o uso diário da substância como prevenção à doença foi enviado como sugestão de checagem por dezenas de leitores do Aos Fatos no WhatsApp (inscreva-se aqui). A mesma recomendação aparece em posts no Facebook entre dicas de como prevenir ou tratar o novo coronavírus. As publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).

Leia abaixo, em detalhes, o que checamos.


FALSO

Pessoal nesta fase do coronavírus, tomem 1g de vitamina c + zinco efervescente, esta é uma das formas de melhorar a nossa imunidade e estar preparado na luta contra uma eventual infecção por coronavírus.

Não é verdade que a ingestão de suplementos de vitamina C com zinco ajuda a prevenir ou a tratar a infecção causada pelo novo coronavírus. Tanto a OMS (Organização Mundial de Saúde) como o Ministério da Saúde negam que exista medicamento ou alimento eficaz contra a doença. A entidade internacional, inclusive, lista a vitamina C entre procedimentos que, além de não serem efetivos, podem trazer danos à saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, para se prevenir do coronavírus é preciso:

• Evitar contato com pessoas que possuem infecções respiratórias agudas;
• Lavar as mãos frequentemente;
• Utilizar lenços descartáveis para limpar o nariz, e não as mãos;
• Cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir;
• Evitar tocar nas mucosas, como nariz, olhos e boca;
• Limpar as mãos após tossir ou espirrar;
• Não compartilhar objetos de uso pessoal;
• Manter os ambientes bem ventilados;
• Evitar contato com pessoas que apresentarem sintomas da doença;
• Evitar contato com animais selvagens e animais doentes em fazendas.

Até o momento, não há uma medicação específica para o tratamento do 2019-nCoV. Os infectados são tratados de acordo com os sintomas apresentados. Segundo o Ministério da Saúde, a indicação inclui repouso e consumo de bastante água, além do uso de antitérmicos ou analgésicos, em casos de dor e febre, e de umidificadores e banhos quentes para aliviar inflamações de garganta e tosse.

Outra alegação apresentada no áudio que circula no WhatsApp, de que a vitamina C aumentaria a imunidade do corpo, não é confirmada por cientistas, como Aos Fatos já checou. Uma ampla revisão de literatura publicada na Cochrane em 2013 concluiu que a substância não ajuda a evitar resfriados comuns, embora haja indícios de que ela possa reduzir a duração da doença. Não há estudos disponíveis sobre seus efeitos no novo coronavírus.

Por fim, a mulher do áudio erra ainda ao dizer que o grupo de risco do novo coronavírus são crianças, jovens e idosos. Segundo a OMS, qualquer pessoa pode ser infectada, ainda que os mais velhos e as pessoas com condições médicas pré-existentes (como asma, diabetes e problemas cardiovasculares) pareçam mais vulneráveis às complicações da infecção. Leia aqui o que se sabe até agora sobre a doença.

Referências:

1. CDC
2. OMS (Fontes 1, 2, 3 e 4)
3. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)
4. Cochrane
5. Ministério da Saúde


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