Foram gerados por inteligência artificial dois vídeos que mostram as supostas consequências das nevascas que atingiram a península de Kamchatka, na Rússia. As publicações foram feitas por perfis especializados em conteúdos sintéticos. Além disso, Aos Fatos analisou as imagens e encontrou distorções que apontam que as cenas não são reais.
As peças enganosas somavam 100 mil visualizações no TikTok, 28 mil curtidas no Instagram e 10 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (21).
[Vídeo] mostra nevasca apocalíptica que atinge cidades da Rússia

O primeiro vídeo, que mostra uma fila de carros trafegando em meio a uma espessa camada de neve, é de autoria do artista gráfico Ergün Kök e foi publicado no Instagram no dia 12. A gravação retrata uma simulação do que ocorreria caso Ancara, capital da Turquia, fosse atingida por cerca de 4 metros de neve.
Há características que apontam que o conteúdo é sintético, como a presença de placas de trânsito desfiguradas e a repetição de veículos com as mesmas características, como tamanho, cor e design. Além disso, todos os carros trafegam na mesma velocidade, uma movimentação atípica no trânsito de rua.
Tsunami branco. Após nevasca extrema em península na Rússia, gelo começa a derreter e causa cenas incríveis.

O segundo vídeo, que circula como se mostrasse o gelo começando a derreter em Kamchatka, foi publicado originalmente na segunda (19) por um canal apócrifo no YouTube especializado em vídeos gerados por IA.
Também há evidências de que o conteúdo é sintético. Durante o desmoronamento, por exemplo, a neve evapora, o que não acontece na realidade. Além disso, o acúmulo de gelo no solo não é compatível com o volume que desaba.

A península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, enfrentou a maior queda de neve dos últimos 60 anos. Duas nevascas desde dezembro do ano passado criaram acúmulos de até cinco metros de altura em algumas áreas. A neve encobriu carros e bloqueou entradas de edifícios. Veja algumas imagens do fenômeno aqui, aqui e aqui.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou a autoria e a origem dos conteúdos, publicadas por páginas especializadas em conteúdo sintético.
Em seguida, a reportagem examinou os vídeos quadro a quadro para checar padrões visuais e comportamentos incompatíveis com cenas reais, como repetições de elementos e incoerências físicas.




