Vídeos que mostram consequências de nevasca na Rússia foram gerados por IA

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Foram gerados por inteligência artificial dois vídeos que mostram as supostas consequências das nevascas que atingiram a península de Kamchatka, na Rússia. As publicações foram feitas por perfis especializados em conteúdos sintéticos. Além disso, Aos Fatos analisou as imagens e encontrou distorções que apontam que as cenas não são reais.

As peças enganosas somavam 100 mil visualizações no TikTok, 28 mil curtidas no Instagram e 10 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (21).

[Vídeo] mostra nevasca apocalíptica que atinge cidades da Rússia

Vista aérea de avenida urbana coberta por neve, com montes altos de neve acumulada nas laterais, formando corredores ao longo da via. A rua está parcialmente liberada para o tráfego, com carros e um ônibus circulando em fila, enquanto pedestres aparecem em calçadas estreitas próximas aos bancos de neve; ao fundo, há prédios comerciais e residenciais. No topo da imagem, há um texto em caixa alta que diz ‘NEVASCA APOCALÍPTICA ATINGE CIDADES DA RÚSSIA’ e, na parte inferior, uma legenda em branco sobre faixa escura afirma ‘Sinais dos tempos! 2026 começou de forma extraordinária!’

O primeiro vídeo, que mostra uma fila de carros trafegando em meio a uma espessa camada de neve, é de autoria do artista gráfico Ergün Kök e foi publicado no Instagram no dia 12. A gravação retrata uma simulação do que ocorreria caso Ancara, capital da Turquia, fosse atingida por cerca de 4 metros de neve.

Há características que apontam que o conteúdo é sintético, como a presença de placas de trânsito desfiguradas e a repetição de veículos com as mesmas características, como tamanho, cor e design. Além disso, todos os carros trafegam na mesma velocidade, uma movimentação atípica no trânsito de rua.

Tsunami branco. Após nevasca extrema em península na Rússia, gelo começa a derreter e causa cenas incríveis.

Cena vista de uma varanda de prédio em área residencial coberta de neve, com corrimão metálico verde em primeiro plano e edifícios altos cinzentos ao fundo. À direita, uma grande placa de gelo aparece inclinada para fora da estrutura do prédio, ocupando parte do enquadramento, enquanto abaixo se veem ruas e áreas entre edifícios recobertas por neve. Sobre a imagem, há um selo vermelho com o texto ‘TSUNAMI BRANCO’ e, em uma caixa branca, a frase ‘APÓS NEVASCA EXTREMA EM PENÍNSULA NA RÚSSIA, GELO COMEÇA A DERRETER E CAUSA CENAS INCRÍVEIS.’

O segundo vídeo, que circula como se mostrasse o gelo começando a derreter em Kamchatka, foi publicado originalmente na segunda (19) por um canal apócrifo no YouTube especializado em vídeos gerados por IA.

Também há evidências de que o conteúdo é sintético. Durante o desmoronamento, por exemplo, a neve evapora, o que não acontece na realidade. Além disso, o acúmulo de gelo no solo não é compatível com o volume que desaba.

Imagem mostra uma montagem em fundo branco com duas fotos lado a lado, ambas emolduradas por bordas pretas arredondadas, e marca ‘af.’ no canto inferior direito. À esquerda, há uma vista aérea de uma avenida coberta de neve, com grandes paredões de neve nas laterais e carros e um ônibus circulando; números ‘1’ e ‘2’ destacam uma placa de trânsito e alguns veículos. À direita, vê-se a vista de uma varanda com corrimão verde em um conjunto de prédios, com grande acúmulo de neve no chão e o número ‘3’ apontando para um bloco de neve; abaixo das imagens, um texto em lista numerada menciona ‘Placas de trânsito desfiguradas’, ‘Veículos repetidos com as mesmas características’ e observações sobre neve ‘evaporar’ e o volume de gelo no solo.
Análise mostra evidências de conteúdo gerado por IA presentes nos dois vídeos checados pelo Aos Fatos

A península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, enfrentou a maior queda de neve dos últimos 60 anos. Duas nevascas desde dezembro do ano passado criaram acúmulos de até cinco metros de altura em algumas áreas. A neve encobriu carros e bloqueou entradas de edifícios. Veja algumas imagens do fenômeno aqui, aqui e aqui.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou a autoria e a origem dos conteúdos, publicadas por páginas especializadas em conteúdo sintético.

Em seguida, a reportagem examinou os vídeos quadro a quadro para checar padrões visuais e comportamentos incompatíveis com cenas reais, como repetições de elementos e incoerências físicas.

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