Foi gerado por IA um compilado de vídeos que supostamente mostra as enxurradas provocadas pelos temporais que atingiram municípios de Minas Gerais nesta semana. Além de terem sido publicados originalmente por um perfil especializado em conteúdos sintéticos, os registros apresentam diversos indícios de manipulação.
As peças enganosas somavam 1,7 milhão de visualizações no TikTok e 18 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quinta-feira (26).
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Posts nas redes têm compartilhado como se fosse real um compilado de vídeos gerados por IA que supostamente mostram as consequências das tempestades que atingiram municípios mineiros nesta semana.
Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o registro original e constatou que ele foi publicado no dia 21 de fevereiro — dois dias antes, portanto, do temporal que devastou cidades mineiras — por um perfil dedicado à produção de conteúdos artificiais que simulam as consequências de eventos climáticos extremos.
O perfil diz, na descrição, que divulga “a verdade por trás das tempestades” e “imagens que o noticiário esconde”, mas o criador sinaliza no vídeo que o conteúdo foi gerado de forma sintética.
A análise das imagens também revela inconsistências típicas de conteúdos criados por IA:
- A marca d’água da ferramenta usada na produção do vídeo aparece borrada em diferentes momentos;

- O contorno da água apresenta borrões, principalmente nos momentos em que a enxurrada atinge as casas, traço típico de conteúdos artificiais;
- Em diversos momentos, as estruturas das casas são arrastadas pela água sem que as paredes sejam quebradas;

- Ao ser destruída pela chuva, a estrutura de uma ponte se parte exatamente ao meio, de forma pouco natural.

Juiz de Fora, Ubá e outras cidades da Zona da Mata mineira foram devastadas por um temporal entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça (24). As chuvas causaram desabamentos, deixando milhares de desabrigados e ao menos 50 mortos.
Em meio à tragédia, têm circulado nas redes uma série de imagens falsas do desastre. Aos Fatos desmentiu nesta semana um outro compilado de vídeos gerados por IA que mostrava supostos registros da tragédia.
O caminho da apuração
Aos Fatos realizou busca reversa para identificar a origem do compilado e localizou a publicação original em perfil dedicado a conteúdos sintéticos. A reportagem também verificou a sinalização do próprio autor indicando que o material era artificial.
Em seguida, analisamos os vídeos quadro a quadro para identificar inconsistências visuais típicas de geração por IA, como marca d’água borrada, comportamento irreal da água e deformações estruturais.




