Vídeos de protestos contra Maduro em 2024 circulam nas redes como atuais

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Não é verdade que cinco vídeos virais mostram cidadãos venezuelanos comemorando a prisão de Nicolás Maduro pelo governo americano no sábado (3). As imagens foram gravadas durante a onda de protestos após as eleições presidenciais na Venezuela, em 2024. Não há registros até o momento de manifestações a favor da prisão do ditador de magnitude similiar às que aparecem nos registros fora de contexto.

As peças de desinformação somavam ao menos 21.100 curtidas no Instagram, 6.000 compartilhamentos no Facebook, 26 mil curtidas no X e 30 mil visualizações no TikTok até a tarde desta segunda-feira (5).

Venezuelanos comemoram a captura de Nicolás Maduro

Imagem mostra ambiente urbano durante o dia, com prédios residenciais de vários andares ao fundo, em tons de bege, cinza e laranja. No centro da cena, há um outdoor vertical fixado sobre uma estrutura elevada, exibindo parcialmente a imagem de Nicolás Maduro — homem de pele morena, cabelo escuro e bigode, vestindo terno escuro e camisa clara, com um logotipo e a sigla ‘PPT’ na parte inferior; o painel aparece rasgado ou sendo retirado na parte superior, com uma lona branca solta e dobrada. No topo da imagem, há um texto sobreposto em letras grandes e amarelas que diz ‘VENEZUELANOS COMEMORAM A CAPTURA DE NICOLÁS MADURO’.

Publicações nas redes têm compartilhado como se fosse recente uma gravação que mostra manifestantes arrancando de um prédio um outdoor com o rosto de Maduro.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que o vídeo foi gravado em 29 de julho de 2024 na cidade de Maracay, na Venezuela, em meio a protestos ocorridos após as eleições presidenciais daquele ano.

Na época, o Conselho Nacional Eleitoral do país, órgão responsável pela apuração dos votos e comandado por um aliado de Maduro, anunciou a vitória do ditador antes do fim da apuração das urnas, levantando suspeitas sobre fraude eleitoral.

A despeito dos pedidos da comunidade internacional, o governo do país se recusou a liberar as atas de votação que provavam a vitória do então presidente.

Aos Fatos não localizou registros na imprensa que mostrassem a retirada de cartazes ou outdoors com a foto de Maduro em manifestações recentes a favor da prisão do ditador.

A VENEZUELA está em festa. Maduro caiu, e agora a nação voltou a sonhar.

Imagem mostra uma cena noturna em uma via urbana tomada por uma multidão, com muitas pessoas de diferentes idades e gêneros, vestindo camisetas de mangas curtas e roupas casuais, reunidas entre carros parados ou em movimento lento. Algumas pessoas aparecem com parte do corpo para fora dos veículos, segurando bandeiras da Venezuela nas cores amarelo, azul e vermelho, enquanto outras caminham ao lado dos automóveis. A rua é iluminada por postes de luz e faróis, com prédios baixos e fiação elétrica visíveis ao fundo, e há um texto sobreposto em fundo preto na parte superior da imagem que diz ‘Olha que festa acontecendo na Venezuela!’ acompanhado de um emoji da bandeira venezuelana.

Também não é recente o vídeo que mostra centenas de manifestantes nas ruas erguendo bandeiras da Venezuela. A gravação, feita no Panamá em 2024, registra um protesto organizado por apoiadores de Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia, políticos de oposição a Maduro, conforme já verificado pelo Aos Fatos anteriormente.

Por meio de busca nas redes e na imprensa, a reportagem não localizou registros que mostrassem manifestações com tal adesão no Panamá em comemoração à prisão do ditador venezuelano.

Venezuelanos derrubam estátua de Hugo Chávez após captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos

Imagem mostra uma cena diurna em área urbana, com estátua de um homem em posição ereta, vestindo uniforme militar de cor verde-oliva, com boina e uma das mãos levantadas em gesto de continência. A escultura está instalada sobre um pedestal, próxima a uma estrutura com grades metálicas e árvores ao fundo, enquanto pessoas aparecem parcialmente visíveis na base da estátua. Na parte inferior da imagem, há uma tarja branca com o logotipo ‘VEJA’, acompanhada de ícones gráficos, e um texto que diz ‘Venezuelanos derrubam estátua de Hugo Chávez após captura de Nicolás Maduro’.

Posts nas redes também enganam ao fazer crer que manifestantes venezuelanos derrubaram uma estátua de Hugo Chávez em comemoração à sua prisão no último sábado (3).

O registro original foi gravado em 30 de julho de 2024 e mostra a derrubada de um monumento em homenagem ao ex-ditador venezuelano.

Na época, manifestantes depredaram ao menos cinco estátuas de Chávez nos estados de Aragua, Carabobo, Falcón, Guárico e La Guaira. O protesto foi uma resposta ao anúncio do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela de que Maduro teria vencido novamente as eleições presidenciais. A oposição acusou o governo de manipular os resultados.

Aos Fatos não localizou registros na imprensa que mostrassem a derrubada de mais estátuas após a ação militar dos Estados Unidos.

Venezuelanos arrastam estátua de Hugo Chávez pelas avenidas do país em comemoração ao ataque de Trump e à prisão de Nicolás Maduro.

Imagem mostra uma cena diurna em uma avenida urbana arborizada, com uma caminhonete branca em movimento lento no centro da via, cercada por várias pessoas. Sobre a carroceria do veículo, há homens e mulheres de diferentes idades, majoritariamente de pele morena e clara, vestindo roupas casuais como camisetas e shorts, alguns sentados e outros em pé, com braços erguidos. Ao redor da caminhonete, outras pessoas caminham ou observam, enquanto postes de iluminação, fiação elétrica, uma cerca metálica e árvores de grande porte aparecem ao fundo. Na parte inferior da imagem, há uma tarja branca com texto em letras pretas que diz ‘LIBERDADE? Venezuelanos arrastam estátua de Hugo Chávez pelas avenidas do país em comemoração ao ataque de Trump e à prisão de Nicolás Maduro’.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que a gravação foi registrada em 31 de julho de 2024, em meio aos protestos contra denúncias de fraude nas eleições presidenciais do país.

O monumento que aparece sendo arrastado no vídeo também não é uma homenagem a Chávez. A figura retratada é o Cacique Coromoto, figura religiosa da Venezuela.

População incendeia imagens do ditador amigo de lule de silve (sic). Cai a ditadura venezuelana, a brasileira segue.

magem mostra um close desfocado de um outdoor em ambiente externo, exibindo o rosto de Nicolás Maduro — homem de pele morena, cabelo escuro e bigode, vestindo terno escuro, camisa clara e gravata, com expressão facial parcialmente visível devido à baixa nitidez. À frente do painel, há chamas em tons de laranja e amarelo subindo na parte inferior da imagem, sugerindo fogo próximo à estrutura, enquanto folhas de árvores aparecem nas laterais superiores. Sobre a cena, há elementos gráficos típicos de uma rede social, incluindo um texto parcialmente visível que menciona ‘VENEZUELA: MANIFESTANTES colocam fogo em outdoor’.

Posts compartilham um vídeo que mostra um cartaz com o rosto de Nicolás Maduro em chamas para fazer crer que se trata de uma reação da população venezuelana à captura e à prisão do ditador pelos Estados Unidos.

Aos Fatos verificou que o vídeo foi gravado em 31 de julho de 2024, em meio a onda de protestos contra as suspeitas de fraude que supostamente levaram à reeleição de Maduro.


Registros divulgados pela imprensa mostram que, no sábado (3) — dia da captura do ditador venezuelano — a capital Caracas amanheceu silenciosa, com ruas vazias, sem grandes protestos a favor da prisão do ditador.

Alguns manifestantes saíram para comemorar a prisão de Maduro, mas a maioria dos protestos registrados no país desde então foram em defesa do ditador e exigiam sua libertação (veja aqui, aqui e aqui).

Diferentemente do que ocorreu na Venezuela, a prisão foi comemorada de forma massiva por imigrantes venezuelanos em outros países, como Argentina e Chile.

Operação militar. Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram capturados por forças americanas no último sábado (3). Eles serão julgados pela Justiça dos EUA em um tribunal de Nova York. O governo americano acusa Maduro de chefiar uma organização de tráfico de cocaína para os EUA.

Na manhã desta segunda-feira (5), o venezuelano se declarou inocente de todos os crimes apontados — entre eles, narcoterrorismo e posse de armas de explosivos — e alegou ser um “prisioneiro de guerra” de Donald Trump.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou buscas reversas para identificar a origem, a data e o local dos vídeos compartilhados nas redes. A reportagem comparou os registros com versões anteriores que já circulavam e verificou o contexto original em que as imagens foram gravadas.

Em seguida, consultamos a cobertura da imprensa internacional e registros públicos sobre manifestações recentes na Venezuela. Também cruzamos informações sobre protestos ocorridos em 2024, distinguindo atos eleitorais e mobilizações no exterior de eventos falsamente associados à prisão do presidente venezuelano.

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