Não é verdade que quatro vídeos virais mostram protestos realizados em diversas cidades do país após a prisão de Jair Bolsonaro (PL), decretada no último sábado (22). As manifestações exibidas nos registros não são recentes, conforme verificado pelo Aos Fatos por meio de busca reversa de imagens e em contato com autoridades.
Os posts fora de contexto acumulavam 900 mil visualizações no YouTube, 31 mil curtidas no Instagram, 4.200 compartilhamentos no Facebook, 60 mil visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos no Threads até a tarde desta quarta-feira (26).
Ditador não esperava uma reação tão rápida. Goiânia Agora 23/11/25

Publicações têm compartilhado cenas de um protesto realizado durante o 7 de Setembro deste ano em Goiânia como se fossem o registro de um ato organizado contra a prisão de Bolsonaro. Embora Aos Fatos não tenha encontrado o registro original, foi possível determinar que a cena é antiga por meio da comparação com elementos de outros vídeos publicados na época.
Na gravação, a multidão percorre o viaduto João Alves de Queiroz, uma das principais vias da cidade. Ao fundo, um dos manifestantes carrega uma faixa de cor amarela com texto em vermelho e preto que diz: “Fora Lula. Anistia Já!”.
A mesma faixa e o mesmo viaduto aparecem em vídeos publicados no Dia da Independência pelo vereador goiano Willian Veloso (PL) e pelo deputado estadual de Goiás Amauri Ribeiro (União Brasil). Também há registros da cena em outros vídeos postados por usuários nas redes (confira comparação abaixo).

Não houve registros de passeatas realizadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na capital goiana após sua prisão preventiva.
Vídeo mostra manifestação espontânea de apoio ao presidente Bolsonaro e contra a sua prisão arbitrária.

Posts nas redes também têm compartilhado fora de contexto cenas de uma manifestação ocorrida em agosto deste ano em Recife a favor da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e do afastamento do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Aos Fatos não localizou o registro original, mas identificou que a gravação compartilhada pelas peças enganosas foi feita na orla de Boa Viagem, na capital pernambucana. Nela, aparece um caminhão vermelho com uma bandeira do Brasil, que também estava presente na manifestação de agosto — cujo registro foi publicado, na época, pelo deputado federal Coronel Meira (PL-PE).

Desde o último sábado (22), não há registros de passeatas realizadas por apoiadores de Bolsonaro na capital pernambucana.
Vários vídeos sendo divulgados de uma multidão de motociclistas indo em direção a Brasília para participar da vigília Bolsonaro Livre [Domingo 23/11/2025]

Também não é recente o vídeo que mostra um passeio motociclístico em uma estrada.
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou a localização em que a filmagem foi feita, próxima ao Shopping Serra Azul (confira abaixo), localizado na rodovia dos Bandeirantes, na altura de Itupeva (SP).

A Polícia Militar e a CCR AutoBAn, concessionária que administra a rodovia, negaram ter havido qualquer motociata no último domingo (23), data mencionada pelos posts desinformativos.
O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) de São Paulo também informou que não houve registro de manifestações organizadas por motociclistas nas rodovias administradas pelo órgão desde o último sábado (22).
Muito trânsito na via principal de entrada para Brasília. Motociclistas do Brasil inteiro que passaram a noite nas estradas para participar da Vigília Bolsonaro Livre estão chegando na cidade [23/11/2025]

Também é antigo o vídeo que mostra uma motociata realizada nas ruas de Brasília. Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que o registro retrata um ato ocorrido em 29 de julho, que contou com a participação do próprio Bolsonaro.
Na época, o ex-presidente já tinha restrições impostas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, e limitou sua participação a acenos e sorrisos. Bolsonaro subiu em um carro de som, mas não discursou.
Não há registros de motociatas realizadas na capital federal desde o último sábado (22). É fato, no entanto, que manifestantes se reuniram em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente está preso, para protestar no fim de semana.
O caminho da apuração
A reportagem iniciou a apuração realizando buscas reversas de imagem dos vídeos compartilhados nas redes para identificar a origem e o contexto dos registros. A equipe analisou cenários, pontos de referência e elementos visíveis, como vias, edificações e faixas, para determinar onde e quando as gravações haviam sido feitas. Esse procedimento permitiu localizar cenários em São Paulo, Goiânia, Recife e Brasília, e relacioná-los a eventos já documentados anteriormente.
Em seguida, Aos Fatos consultou órgãos responsáveis pelas vias e segurança pública, como a concessionária CCR AutoBAn, a Polícia Militar e o DER de São Paulo, para verificar a existência de registros de mobilizações recentes.
A equipe também cruzou publicações de autoridades e usuários nas redes sociais, incluindo registros de parlamentares, para confirmar as datas originais das manifestações identificadas. Esses procedimentos permitiram estabelecer o contexto temporal dos vídeos analisados.




