Não é a cabeleireira Débora dos Santos, presa por participação no 8 de Janeiro, a mulher que aparece incitando um golpe de Estado em vídeos que circulam nas redes. Os registros mostram, na realidade, duas pessoas diferentes: Ana Priscila de Azevedo e Camila Mendonça Marques, ambas condenadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 17 anos de prisão por atuação nos atos golpistas. Já Débora dos Santos é acusada pela PGR (Procuradoria Geral da República) de cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado. Seu caso está sendo julgado pela Primeira Turma do Supremo.
As peças enganosas somavam 55 mil visualizações no Kwai, centenas de compartilhamentos no Facebook e centenas de visualizações no TikTok até a tarde desta terça-feira (8).
[Vídeo mostra Débora dos Santos] a santinha do batom

Posts nas redes enganam ao identificar como Débora Rodrigues dos Santos — cabeleireira que ficou conhecida por vandalizar a estátua da Justiça durante o 8 de Janeiro — duas mulheres que aparecem em vídeos diferentes fazendo alegações golpistas:
- Quem aparece na primeira gravação prometendo sitiar Brasília, cercar a praça dos Três Poderes e tomar o poder é Ana Priscila de Azevedo, condenada a 17 anos de prisão pelo STF;
- Já a mulher de máscara facial camuflada e óculos escuros que pede por intervenção militar é Camila Mendonça Marques, também condenada a 17 anos de prisão.
Apontada pela Polícia Federal como uma das articuladoras do 8 de Janeiro, Ana Priscila foi condenada em dezembro do ano passado pela Primeira Turma do STF e está presa em Brasília. Conforme mostrado pelo Aos Fatos, ela coordenava grupos no Telegram que tiveram protagonismo na convocação para os atos golpistas.

Já a empresária Camila Mendonça Marques foi condenada em março de 2024. Em novembro, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que ela começasse a cumprir pena em regime fechado.

Citada pelas peças de desinformação, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos foi presa pela PF em março de 2023 por participar dos atos de vandalismo, onde foi fotografada pichando a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça.
Débora, que cumpre prisão domiciliar desde o fim de março deste ano, foi acusada pela PGR de cinco crimes, que podem resultar em 14 anos de prisão.
O julgamento da cabeleireira na Primeira Turma do STF foi suspenso em março após o ministro Luiz Fux pedir vista (mais prazo para analisar o processo). O placar está 2 x 0 a favor da condenação.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou as pessoas que aparecem nos vídeos atribuídos a Débora dos Santos. Contextualizamos também a checagem com informações sobre Débora e as pessoas que aparecem nos registros.




