🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Novembro de 2022. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Vídeos antigos de Bolsonaro e de militares circulam fora de contexto para estimular manifestações

Por Bruna Leite e Marco Faustino

14 de novembro de 2022, 19h30

Com o silêncio do presidente Jair Bolsonaro (PL) desde a derrota nas eleições, perfis nas redes sociais publicam como se fossem atuais vídeos de antigos discursos do mandatário. Entre sábado (12) e segunda-feira (14), dois registros de falas de Bolsonaro em 2020 e 2021 passaram a circular fora do contexto original para manter acesas as manifestações contra o resultado do pleito.

A inação das Forças Armadas frente aos apelos por um golpe militar também têm provocado um comportamento semelhante nas redes bolsonaristas. Gravações que mostram a ação do Exército ou de policiais viralizam com informações falsas e distorções sobre o real contexto das imagens.

Até esta segunda-feira (14), quatro publicações enganosas do tipo alcançaram, juntas, mais de 450 mil visualizações no TikTok e 103 mil compartilhamentos no Facebook, além de circularem em grupos de WhatsApp (fale com a Fátima).

Em resumo, o que checamos:

  1. É falso que Bolsonaro discursou para apoiadores no sábado (12); registros são do 7 de Setembro de 2021 em São Paulo e em Brasília;
  2. Não é verdade que Bolsonaro apareceu publicamente no domingo (13); registro foi feito em manifestação antidemocrática em Brasília em 2020;
  3. PMs não foram expulsos pelo Exército de manifestação no Distrito Federal; vídeo mostra a expulsão de ambulantes por fiscais, que foram escoltados pela Polícia do Exército;
  4. O Exército tampouco prendeu PMs em Porto Alegre (RS); de acordo com o Comando Militar do Sul, não houve prisão de policiais durante uma operação na capital gaúcha para desbloquear rua ocupada por manifestantes.

Selo falso

Isso foi ontem em Brasília. Você tem visto isso na TV?

Compilado com vídeos do 7 de Setembro de 2021 circula como se fosse atual

É falso que Bolsonaro discursou para apoiadores no sábado (12) e atacou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O vídeo com a falsa descrição reúne trechos das manifestações de 7 de Setembro do ano passado – o discurso foi gravado na Avenida Paulista, em São Paulo, e há cenas da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tomada por manifestantes.

Na ocasião, Bolsonaro disse: “Acabou o tempo dele. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha. Deixa de oprimir o povo brasilero”. Nas imagens transmitidas pela imprensa, é possível ver que Bolsonaro veste a mesma camisa azul clara presente no vídeo compartilhado fora de contexto. A última fala pública de Bolsonaro foi em 2 de novembro, no Palácio da Alvorada.

As imagens aéreas de Brasília usadas na peça desinformativa estão disponíveis no YouTube, com a descrição de que se trata do 7 de Setembro de 2021 na capital federal. Segundo estimativas da Polícia Militar do Distrito Federal, 105 mil pessoas participaram do ato a favor do governo.

O vídeo engana ainda ao afirmar que a Rede Globo “levava 80% da verba” de publicidade nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 2003 a 2010. Segundo dados obtidos pelo Poder360, no primeiro ano de mandato, o governo petista pagou à emissora 59% da verba destinada para TV, o que não considera outras mídias. Esse foi o maior percentual durante os oito anos de governo Lula. Em 2010, esse valor foi de 43%.


Selo falso

Bolsonaro apareceu hoje, 13/11

Vídeo em que Bolsonaro acena para multidão não foi gravado em 13 de novembro de 2022, mas em abril deste ano.

O vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro acena a apoiadores em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, não foi gravado no domingo (13). O vídeo é de 19 de abril de 2020. Na ocasião, Bolsonaro compareceu a uma manifestação por intervenção militar e fechamento do Congresso e do STF.

Desde a divulgação dos resultados das eleições deste ano, que deram a vitória ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiadores do presidente que refutam as urnas se concentram em frente a quartéis pelo país. Em Brasília, há caminhões concentrados no QG do Exército, local que aparece no vídeo. No entanto, Bolsonaro não esteve recentemente no local.


Selo falso

PM de Brasília foram cumprir ordem ,e foram convidados pelo Exército Brasileiro a se retirarem !

Vídeo difundido por posts nas redes não mostra policiais do Exército expulsando a PM de Brasília, e sim retirada de ambulantes feita pela Polícia do Exército

Não é verdade que o vídeo que circula nas postagens mostre uma ação do Exército para retirar policiais militares que foram a um ato bolsonarista para “cumprir ordem”. O registro, divulgado pelo 'Correio Braziliense', mostra soldados escoltando fiscais da Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal em uma operação contra ambulantes no Setor Militar Urbano (SMU), onde se concentram os manifestantes golpistas.

O vídeo foi gravado no sábado (12), quando agentes da secretaria ordenaram aos ambulantes que se retirassem do local naquela manhã. Quem pediu a ação dos agentes foi a própria Polícia do Exército, de acordo com a secretaria. Em entrevista ao Correio Braziliense, Roberto Coelho, coordenador da operação, afirmou que as barracas foram retiradas sem incidentes. A escolta mostrada no vídeo ocorreu porque a PE era responsável pela segurança dos agentes.


Selo falso

Policiais tentam retirar manifestantes em Porto Alegre e são presos pelo EB

osts enganam ao difundir oficiais do Exército prenderam PMs em Porto Alegre, o que não aconteceu

Oficiais do Exército não prenderam policiais militares que pediam a remoção de barracas em frente ao CMS (Comando Militar do Sul), onde se concentram os atos golpistas em Porto Alegre (RS). O vídeo mostra imagens gravadas na sexta-feira (11), quando a Brigada Militar do Rio Grande do Sul pediu a retirada de carros e barracas que bloqueavam a avenida Padre Thomé. O Comando Militar do Sul negou que tenham ocorrido prisões de policiais.

Apesar de o prazo para retirada das barracas ter se esgotado na meia-noite de sábado (12), as barracas foram mantidas e a polícia não estabeleceu um novo prazo para liberação da rua. O MPF (Ministério Público Federal) havia recomendado uma ação da prefeitura de Porto Alegre, que alegou não ter competência para liberar a rua bloqueada. O fluxo de veículos segue interrompido na Avenida Padre Thomé nesta segunda-feira (14).

Na sequência do vídeo são mostradas imagens de pessoas discutindo, mas Aos Fatos não conseguiu encontrar o local nem o contexto original da filmagem.

Referências:

1. Poder 360 (Fontes 1 e 2)
2. YouTube (Fontes 1, 2, 3
3. UOL
4. Metrópoles
5. O Globo
6. Correio Braziliense (Fontes 1, 2 e 3)
7. Gaúcha ZH (Fontes 1, 2 e 3)

Topo

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.