Não é verdade que o vídeo que mostra a tornozeleira do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com marcas de queimadura foi gerado por IA (inteligência artificial). A gravação teve sua veracidade atestada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O conteúdo também é corroborado por um relatório e pelo próprio Bolsonaro, que confessou ter usado ferro de solda para tentar abrir o equipamento.
Publicações com a alegação enganosa acumulavam cerca de 50 mil visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (24).
Video de tornozeleira de Bolsonaro pode ser falso criado por inteligência artificial

São enganosas as publicações que sugerem que o vídeo divulgado no último sábado (22), que mostra a tornozeleira eletrônica de Bolsonaro danificada em toda a sua extensão, teria sido feito por IA. A gravação foi disponibilizada pelo Cime (Centro Integrado de Monitoração Eletrônica) e divulgada pelo STF em seu site oficial.
A gravação, que não apresenta nenhuma marca de edição, vai ao encontro do relatório do Cime, assinado pela diretora adjunta da organização e divulgado junto do vídeo. O documento atesta que “o equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe/fechamento do case”.
Além disso, o próprio Bolsonaro confirmou às autoridades que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento. Durante audiência de custódia realizada no último domingo (23), o ex-presidente voltou a afirmar que tentou violar a tornozeleira porque estava sob efeitos de remédios e achou que havia uma “escuta” instalada no aparelho.
O Cime recebeu uma notificação de violação da tornozeleira por volta da meia noite de sábado (22). A infração, aliada à convocação de uma vigília para aquela noite que poderia viabilizar um plano de fuga, fez com que o ministro Alexandre de Moraes decidisse converter a prisão domiciliar de Bolsonaro em prisão preventiva.
O ex-presidente está atualmente detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em sessão realizada nesta segunda, a Primeira Turma do Supremo referendou a decisão de Moraes.
O caminho da apuração
Aos Fatos recuperou o link oficial do STF que mostrava o vídeo e o relatório do Cime sobre a violação da tornozeleira. Também procuramos novas informações sobre a audiência de custódia, ocorrida no último domingo (23), que corroboram com a gravação.




