Foi gerado por IA (inteligência artificial) o vídeo que mostra um grupo de indígenas protestando na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) pedindo um navio “igual ao da Janja”. Aos Fatos encontrou o registro original e constatou que ele foi criado por um perfil especializado em conteúdos manipulados. A gravação também apresenta diversos indícios de que foi forjada.
As publicações enganosas acumulavam mais de 1,5 milhão de visualizações no TikTok e 5.000 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (17).
Índios protestam na COP30 dizendo que querem navio igual da Janja e não Hilux

Publicações têm compartilhado um vídeo gerado por IA para fazer crer que indígenas teriam realizado um protesto durante a COP30 exigindo respeito e uma embarcação similar à usada pela comitiva brasileira para hospedagem durante a conferência das Nações Unidas.
Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou a gravação original e constatou que ela foi criada por um perfil especializado em conteúdos manipulados. A página, inclusive, publicou uma série de outros vídeos enganosos mostrando a suposta “invasão” na cúpula.

Outros indícios também apontam que a publicação foi gerada por IA, como:
- Os movimentos labiais não correspondem ao áudio;
- A animação da mandíbula dos indígenas é visivelmente artificial;
- A fachada do prédio e o logotipo da COP30 são incompatíveis com a identidade visual oficial do evento;
- O telão exibe o ano “2025” grafado incorretamente como “20225”.

As publicações da página também reproduzem estereótipos e preconceitos contra povos indígenas, insinuando que eles reivindicariam luxos como caviar, caminhonetes e embarcações custeadas por ONGs ou por políticas públicas.
Procurada por Aos Fatos, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) reforçou que o conteúdo é falso e que não houve qualquer manifestação neste escopo. A pasta também esclareceu que a embarcação em questão foi utilizada como hospedagem do presidente, da primeira-dama e parte da equipe envolvida em atividades relacionadas à COP30 e que "não há que se confundir com navio ‘igual ao da Janja’".
Manifestações. É fato, porém, que houve protestos de povos originários durante a cúpula. Na última sexta-feira (14), cerca de 90 indígenas da etnia Munduruku — que vivem na região do rio Tapajós, no Pará — bloquearam o acesso à principal zona oficial da COP30 em ato contra projetos de infraestrutura na Amazônia e a favor da demarcação de terras.
O grupo reivindicou participação nas negociações e uma reunião com o presidente Lula, que estava em Brasília. O bloqueio foi encerrado após os indígenas serem convidados para uma reunião com o presidente da COP, André Corrêa do Lago, e com as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org.
O caminho da apuração
Aos Fatos encontrou a gravação original por meio de busca reversa e constatou que ela foi criada por um perfil especializado em conteúdo gerado por IA.
A reportagem também buscou informações sobre protestos de populações indígenas durante a cúpula na imprensa e nos canais oficiais do governo.




