Vídeo que mostra ‘fazenda de visualizações’ foi gerado por IA

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Não é real o vídeo que mostra a descoberta de uma “fazenda de visualizações” em uma comunidade durante uma operação da polícia. Além de não haver qualquer informação recente sobre ações de segurança similares no país, Aos Fatos identificou elementos visuais que mostram que o registro foi gerado por IA (inteligência artificial).

As peças enganosas somavam 17 mil visualizações no TikTok, 10 mil curtidas no Instagram, 1.200 compartilhamentos no X e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (3).

A Polícia Militar descobriu uma estrutura surpreendente dentro de uma comunidade, onde funcionava uma verdadeira “fazenda de visualizações” utilizada para impulsionar artificialmente vídeos de música no YouTube. No local, dezenas de celulares e equipamentos estavam conectados simultaneamente, simulando acessos e interações com o objetivo de aumentar o alcance dos conteúdos.

es presos a estruturas nas paredes, todos ligados e com telas acesas; cabos estão organizados ou agrupados no chão e conectados aos aparelhos. Na frente, aparece uma pessoa de costas, usando uma camiseta escura com as palavras ‘Polícia Civil’ estampadas, caminhando em direção ao fundo do local. O texto acima da publicação afirma que a polícia teria encontrado um espaço usado para simular visualizações e engajamento em vídeos de música, operando com vários dispositivos conectados ao mesmo tempo.

Foi gerado por IA o vídeo que mostra uma suposta ação da polícia em uma “fazenda de visualizações”. Aos Fatos identificou uma série de elementos na gravação que permitem atestar que o conteúdo é artificial:

  • Em um trecho do vídeo, a mão de um dos policiais aparece sem os dedos;
  • Em outro momento, o braço e a perna de um dos agentes estão em posição anatômica incomum, como se estivessem torcidos;
  • A arma usada por um dos policiais que aparece em primeiro plano é retratada como se fosse uma lanterna;
  • As insígnias e brasões nos uniformes não são compatíveis com os usados pelas polícias estaduais no Brasil;
  • Nos últimos segundos de vídeo, o boné de um dos agentes aparece com um brasão genérico distorcido.
A imagem mostra um comparativo com dois quadros lado a lado em ambiente interno, ambos exibindo paredes cobertas por vários dispositivos eletrônicos alinhados, semelhantes a celulares ligados; no quadro à esquerda, aparece parcialmente o braço de uma pessoa vestindo uniforme azul-escuro, apontando para a parede, e há anotações gráficas com setas; no quadro à direita, a cena inclui diversos cabos sobre uma mesa e um objeto escuro na parte inferior da imagem segurado pela pessoa que filma, enquanto outra anotação em seta indica esse objeto.
Comparativo mostra elementos que atestam que a gravação por IA, a exemplo de cenas que mostram a mão, braço e uma arma utilizada por um dos agentes
A imagem mostra um ambiente fechado com diversas fileiras de celulares ligados e organizados em prateleiras presas à parede. À frente dos aparelhos, aparecem dois homens vestindo uniformes de cor escura semelhantes a trajes policiais, com brasões nos ombros e equipamentos presos à cintura. Um dos homens está de perfil, usando boné e olhando em direção à câmera. O piso é claro e há fios conectando os aparelhos eletrônicos na parte inferior das prateleiras. O enquadramento destaca os celulares, organizados em múltiplas telas acesas exibindo conteúdo semelhante.
Outro comparativo mostra elementos que atestam que a gravação por IA, a exemplo de cenas que mostram as pernas e o uniforme utilizado pelos policiais

Por meio de busca na imprensa e em canais oficiais das secretarias estaduais de segurança pública, Aos Fatos não localizou qualquer ação policial com esse escopo no país.

Algumas peças enganosas atribuem a operação às polícias de São Paulo e do Ceará, que negaram à reportagem ter realizado qualquer ação similar.

É fato, no entanto, que existem “fazendas de cliques”, principalmente em países asiáticos, criadas por empresas com o intuito de manipular algoritmos e aumentar artificialmente o tráfego online, as visualizações de vídeos e o engajamento de usuários nas redes.

O caminho da apuração

A reportagem realizou buscas na imprensa nacional e em canais oficiais das secretarias estaduais de segurança pública para verificar se houve registro de operação compatível com as imagens. Também entramos em contato com as polícias de São Paulo e do Ceará, citadas em algumas versões, para confirmar se conduziram ações semelhantes.

Além disso, Aos Fatos analisou o vídeo e identificou elementos visuais característicos de geração por IA, como alterações em membros, incompatibilidades em brasões e insígnias e distorções em objetos. Esses indícios foram verificados quadro a quadro para comparar com o padrão visual usado pelas forças policiais brasileiras.

Referências

  1. CNN Brasil
  2. O Globo

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