Vídeo que mostra agressão em rádio de Roraima é de 2018 e não tem relação com Lula e Bolsonaro

Por Priscila Pacheco

28 de setembro de 2022, 15h32

Um vídeo que circula nas redes sociais não mostra um aliado do ex-presidente e candidato do PT ao cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, agredindo uma apoiadora do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), como afirmam postagens (veja aqui). As cenas foram gravadas em 2018 e mostram Jalser Renier (Solidariedade) ofendendo Teresa Surita (MDB), então prefeita de Boa Vista e atual candidata ao governo de Roraima. Surita tem o PL, partido de Bolsonaro, na sua chapa, mas Renier não manifestou endosso público a Lula.

As postagens enganosas contam com ao menos 30,5 mil interações no Kwai e centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quarta-feira (28).


Selo falso

Deputado aliado de Lula agride prefeita aliada de Bolsonaro.

Postagens mentem ao afirmar que vídeo mostra aliado de Lula agredindo apoiadora de Bolsonaro 

Postagens nas redes sociais enganam ao afirmar que um deputado aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agrediu uma prefeita apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (PL). O vídeo compartilhado foi registrado em 2018 e mostra a então prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB), sendo agredida por Jalser Renier (Solidariedade), na época deputado estadual de Roraima. Renier criticava Surita por ela ter deixado de apoiar Anchieta Júnior (PSDB), que concorria contra Antonio Denarium (PSL), antigo partido de Bolsonaro, no segundo turno da eleição para governador daquele ano.

O vídeo foi gravado em 26 de outubro de 2018, dois dias antes do segundo turno. Surita dava entrevista a uma rádio quando Renier invadiu o estúdio, a ofendeu e a ameaçou. “Essa prefeita é irresponsável, sem noção, sem caráter. Ela apoiou o Anchieta e agora está virando as costas”, disse Renier, poucos segundos antes de derrubar o celular de uma pessoa que gravava a cena. Surita havia apoiado Júnior no primeiro turno, mas ficou neutra no segundo. Denarium se elegeu com 53,34% dos votos.

Não há indícios de que Renier tenha apoiado Fernando Haddad (PT) nem que Surita tenha declarado apoio a Bolsonaro nas eleições para presidente em 2018. Na época, Anchieta Júnior se declarou neutro na competição no segundo turno, assim como o Solidariedade, partido de Renier, e o MDB, sigla de Surita.

Embora o Solidariedade esteja na coligação que apoia o ex-presidente Lula em 2022, o Aos Fatos não encontrou, em buscas nas redes sociais e em veículos de comunicação, nenhuma ligação entre Renier e candidatos petistas.. Em sua conta autenticada no Instagram, atualizada pela última vez em janeiro, não há postagens de apoio ao partido. No Twitter, que está desatualizado desde o ano passado e não tem selo de autenticação, foi encontrado apenas um post de 2020 em que Renier acusa um deputado de trair Bolsonaro.

Renier perdeu o mandato e os direitos políticos em fevereiro por quebra de decoro parlamentar e está inelegível por oito anos. Ele é acusado de ter ordenado o sequestro do jornalista Romano dos Anjos em 2020. Renier também tem acusações de envolvimento com milícia formada por policiais militares.

Surita é candidata ao governo de Roraima e tem como vice o deputado federal Édio Lopes, filiado ao PL, partido de Bolsonaro. A chapa também é apoiada pelo PSB, aliado do PT na chapa presidencial e em outros estados. O candidato ao Senado da coligação é Romero Jucá, ex-marido de Surita, ex-ministro dos governos de Lula e Temer (MDB) e que apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB) em maio. No dia 8 de setembro, entretanto, Jucá declarou em entrevista ao G1 que Bolsonaro é o candidato mais importante para o seu estado.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9)
2. Metrópoles (Fontes 1 e 2)
3. Folha de S. Paulo
4. Agência Brasil
5. TSE (Fontes 1 e 2)
6. Instagram Jalser Renier
7. Twitter Jalser Renier
8. Abraji
9. Infoamazônia
10. UOL
11. Poder360


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