Vídeo que mostra ação da PM em praia é antigo e sem relação com isolamento social

Por Luiz Fernando Menezes

14 de abril de 2020, 15h58


Não é recente nem tem relação com medidas de isolamento social o vídeo que mostra policiais militares disparando spray de pimenta e balas de borracha em pessoas numa praia. O registro foi feito em março de 2019, em Itapema (SC), quando PMs tentavam conter uma briga entre torcedores de um campeonato de futebol de areia. Em posts nas redes sociais, a gravação é tratada como atual e acompanha a desinformação de que governadores de Rio, São Paulo e Bahia “autorizaram a polícia a atirar em quem estiver nas ruas, nas praças e nas praias” (veja aqui).

O vídeo fora de contexto tem sido compartilhado em perfis pessoais e páginas no Facebook e, até a tarde desta terça-feira (14), acumulavam ao menos de 6.000 compartilhamentos na rede social. As postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Governadores de São Paulo, Bahia e Rio autorizaram a polícia atirar em quem estiver nas ruas, nas praças e nas praias.

Um vídeo gravado em em março de 2019 que mostra um tumulto entre policiais e torcedores de um campeonato de futebol de areia na praia central de Itapema, em Santa Catarina, tem sido veiculado nas redes sociais como se fosse atual. Segundo as publicações que compartilham as imagens, os governadores de Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia teriam dado autorização às PMs para atirar em quem estiver em áreas públicas. No entanto, nenhum estado brasileiro tomou medidas nesse sentido.

A ação da polícia mostrada nas imagens aconteceu após uma discussão entre os frequentadores de um torneio na praia. Os agentes tentaram intervir na briga, mas foram agredidos pelos torcedores e usaram spray de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha para conter a confusão, conforme reportou a imprensa catarinense à época.

Os decretos que ordenaram medidas de isolamento social contra a Covid-19 na Bahia, em São Paulo e no Rio de Janeiro não falam em permissão para que a polícia atire para dispersar multidões, ainda que o uso de força policial para impedir aglomerações e fazer cumprir as normas de distanciamento estejam previstas, incluindo prisões. No caso do Rio de Janeiro, a PMERJ divulgou, no dia 20 de março, que os policiais poderiam atuar “conforme o protocolo interno da corporação que estabelece o uso progressivo da força”, podendo chegar até em voz de prisão.

No dia 6 de abril, quatro pessoas foram detidas na cidade do Rio de Janeiro por burlarem a ordem de isolamento social. Todas foram liberadas após prestarem depoimento. No estado de São Paulo, uma mulher foi presa na última segunda-feira (13) em Araraquara (SP) pela Guarda Municipal da cidade também por descumprir o decreto municipal de quarentena.

Referências:

1. G1 (Fontes 1 e 2)
2. NSC Total
3. Governo Estadual da Bahia
4. Governo Estadual de São Paulo
5. Governo Estadual do Rio de Janeiro
6. Veja


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