Vídeo mostra prédio desabando em terremoto nas Filipinas, não na Venezuela

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Não é verdade que um vídeo que mostra um prédio desabando tenha sido gravado na Venezuela após os terremotos de quarta-feira (24). O registro foi feito no início do mês nas Filipinas, quando um sismo atingiu a ilha de Mindanao.

O vídeo descontextualizado circulava no Facebook e no Instagram até a tarde desta quinta-feira (25).

Estima-se que o terremoto na Venezuela matou cerca de quase 100 mil pessoas.

Uma captura de tela de um vídeo exibe uma cena de rua em frente a um edifício comercial de vários andares, onde se destaca um restaurante com grandes letreiros vermelhos com a inscrição 'Jollibee' e o desenho de seu mascote, uma abelha com chapéu de cozinheiro. Em primeiro plano, à direita, um indivíduo de pele parda — usando boné vermelho, máscara facial escura, camisa de mangas curtas azul e vermelha, calça escura e sapatos pretos —, caminha pela via. No canto esquerdo, é possível ver parcialmente o braço e parte do tronco de outra pessoa de pele parda vestindo uma blusa branca. Ao fundo, perto da entrada do estabelecimento onde há uma estátua do mascote, outras pessoas com trajes escuros aparecem desfocadas correndo ou caminhando rapidamente, enquanto uma densa nuvem de poeira cinza se ergue na rua do lado direito. No topo do prédio, há uma placa vermelha e branca com os dizeres 'LOVE RADIO'. Na parte inferior da imagem, sobreposta à cena, lê-se o texto em branco: 'Estima-se que o terremoto na Venezuela matou cerca de quase 100 mil pessoas Orem pela Venezuela', posicionado abaixo de um botão com a palavra 'Seguir' e um nome de usuário borrado digitalmente.

Um vídeo do desabamento de um prédio durante um tremor de terra no início do mês em Mindanao, nas Filipinas, tem circulado nas redes como se tivesse sido registrado na Venezuela nesta quarta-feira (24).

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que a mesma gravação foi compartilhada nas redes e em canais de televisão no dia 8 de junho. As imagens mostram o momento em que funcionários da rede de fast-food filipina Jollibee saem do prédio antes dele desabar.

O terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter que atingiu a segunda maior ilha das Filipinas deixou ao menos 46 mortos e 4.000 feridos, segundo as autoridades locais.

É fato, no entanto, que a Venezuela foi atingida por dois terremotos — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5 — no início da noite de ontem. Foi o tremor mais intenso desde 1900, quando a região registrou um de magnitude 7,7.

De acordo com o Serviço Geológico Americano, os epicentros dos terremotos foram registrados próximos da cidade de El Guayabo — a cerca de 168 km da capital Caracas. Os tremores também chegaram a ser sentidos na Colômbia e no Brasil.

Após os terremotos, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência. O aeroporto de Caracas também foi fechado após parte do teto desabar.

Uma imagem exibe uma reprodução de um mapa digital com foco na região norte da América do Sul, destacando o território da Venezuela. Sobre a porção centro-norte do país, estendendo-se do litoral em direção ao interior e cobrindo áreas próximas a cidades como Barquisimeto e Coro, há uma grande mancha vermelha semitransparente. No centro dessa área destacada, encontra-se um ícone circular vermelho com o desenho de uma onda sísmica branca, acompanhado pelo texto 'Terremoto • Venezuela'. A representação cartográfica apresenta o relevo terrestre em tons de verde e o oceano em azul-claro, identificando também ilhas caribenhas ao norte, como 'Aruba' e 'Curaçao'.
Mapa mostra região afetada pelos terremotos (Google)

Os posts checados desinformam ainda ao citar que os terremotos teriam deixado mais de 100 mil mortos na Venezuela. Esse número parece ter sido extraído de uma estimativa projetada pelo Serviço Geológico Americano. Segundo essa projeção, haveria 44% de chances de o número de mortos ficar entre 10 mil e 100 mil e 33% de que o desastre supere os 100 mil óbitos.

Até a publicação desta checagem, no fim da tarde desta quinta, as autoridades venezuelanas haviam confirmado 188 mortes.

Onda de desinformação. Os terremotos foram acompanhados de desinformação não só no Brasil, como na própria Venezuela e em países de língua espanhola. O Observatório Venezuelano de Fake News já identificou, por exemplo:

  • Vídeos gerados por IA que mostram prédios desabando em Acarigua;
  • Uma imagem que também provavelmente foi manipulada para mostrar uma ponte destruída pelos tremores;
  • Alertas falsos de tsunamis na costa venezuelana;
  • Falsas mensagens que informavam que haveria um apagão nacional no país nesta quinta-feira (25);
  • Gravações antigas de terremotos (veja aqui e aqui) circulando como se fossem cenas recentes.
O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa por meio de prints do vídeo que tem sido compartilhado e encontrou gravação original em posts de usuários e veículos de imprensa internacionais. Procuramos, então, o contexto real das imagens.

Também buscamos informações atualizadas sobre os terremotos na Venezuela ocorridos na última quarta-feira na imprensa local e sua repercussão no Brasil. Consultamos ainda iniciativas de checagem locais para verificar a dispersão de desinformação sobre o desastre.

Referências

  1. CBS News
  2. Factchequeado
  3. g1 (1, 2, 3, 4 e 5)
  4. Metrópoles
  5. Observatório Venezuelano de Fake News (1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7)
  6. CNN Brasil

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