Não é verdade que um vídeo que mostra um prédio desabando tenha sido gravado na Venezuela após os terremotos de quarta-feira (24). O registro foi feito no início do mês nas Filipinas, quando um sismo atingiu a ilha de Mindanao.
O vídeo descontextualizado circulava no Facebook e no Instagram até a tarde desta quinta-feira (25).
Estima-se que o terremoto na Venezuela matou cerca de quase 100 mil pessoas.

Um vídeo do desabamento de um prédio durante um tremor de terra no início do mês em Mindanao, nas Filipinas, tem circulado nas redes como se tivesse sido registrado na Venezuela nesta quarta-feira (24).
Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que a mesma gravação foi compartilhada nas redes e em canais de televisão no dia 8 de junho. As imagens mostram o momento em que funcionários da rede de fast-food filipina Jollibee saem do prédio antes dele desabar.
O terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter que atingiu a segunda maior ilha das Filipinas deixou ao menos 46 mortos e 4.000 feridos, segundo as autoridades locais.
É fato, no entanto, que a Venezuela foi atingida por dois terremotos — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5 — no início da noite de ontem. Foi o tremor mais intenso desde 1900, quando a região registrou um de magnitude 7,7.
De acordo com o Serviço Geológico Americano, os epicentros dos terremotos foram registrados próximos da cidade de El Guayabo — a cerca de 168 km da capital Caracas. Os tremores também chegaram a ser sentidos na Colômbia e no Brasil.
Após os terremotos, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência. O aeroporto de Caracas também foi fechado após parte do teto desabar.

Os posts checados desinformam ainda ao citar que os terremotos teriam deixado mais de 100 mil mortos na Venezuela. Esse número parece ter sido extraído de uma estimativa projetada pelo Serviço Geológico Americano. Segundo essa projeção, haveria 44% de chances de o número de mortos ficar entre 10 mil e 100 mil e 33% de que o desastre supere os 100 mil óbitos.
Até a publicação desta checagem, no fim da tarde desta quinta, as autoridades venezuelanas haviam confirmado 188 mortes.
Onda de desinformação. Os terremotos foram acompanhados de desinformação não só no Brasil, como na própria Venezuela e em países de língua espanhola. O Observatório Venezuelano de Fake News já identificou, por exemplo:
- Vídeos gerados por IA que mostram prédios desabando em Acarigua;
- Uma imagem que também provavelmente foi manipulada para mostrar uma ponte destruída pelos tremores;
- Alertas falsos de tsunamis na costa venezuelana;
- Falsas mensagens que informavam que haveria um apagão nacional no país nesta quinta-feira (25);
- Gravações antigas de terremotos (veja aqui e aqui) circulando como se fossem cenas recentes.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca reversa por meio de prints do vídeo que tem sido compartilhado e encontrou gravação original em posts de usuários e veículos de imprensa internacionais. Procuramos, então, o contexto real das imagens.
Também buscamos informações atualizadas sobre os terremotos na Venezuela ocorridos na última quarta-feira na imprensa local e sua repercussão no Brasil. Consultamos ainda iniciativas de checagem locais para verificar a dispersão de desinformação sobre o desastre.





