Vídeo não mostra vermes dentro de máscaras cirúrgicas vindas da China

Por Priscila Pacheco

25 de junho de 2021, 12h45

Um vídeo que circula nas redes sociais e no WhatsApp engana ao sustentar que máscaras cirúrgicas vindas da China estariam contaminadas com vermes que poderiam ser engolidos por quem as usa (veja aqui). O experimento feito na gravação, em que o equipamento é posicionado sobre uma tigela com água fervente, mostra apenas filamentos do tecido de fibra sintética que se movem após contato com o vapor.

Os pedidos de checagem deste conteúdo foram enviados por leitores ao Aos Fatos pelo WhatsApp (Fale com a Fátima). Devido à natureza da plataforma, não é possível estimar o alcance do conteúdo. No Facebook, o vídeo reunia centenas de compartilhamentos nesta sexta-feira (25) e recebeu selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).


Vejam os vermes saindo da máscara chinesa... você respira e eles entram nos seus pulmões e vão para o cérebro... Assistam o vídeo #WB ⚰️

Não é verdade que um vídeo que circula nas redes sociais provaria que máscaras cirúrgicas vindas da China contém vermes que podem contaminar quem as usa. No experimento da gravação, um equipamento de proteção novo é posicionado sobre uma tigela com água quente e, após contato com o vapor, pequenos fios começam a se mexer. Os elementos mostrados nas imagens são fios de TNT (Tecido Não Tecido), material plástico com que a máscara é confeccionada, não parasitas.

Fernando Kokubun, professor de física da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), explica que a temperatura e o vapor “empurram” as moléculas dos filamentos do tecido, que passam a se mover. Tal fenômeno também não se repetiria durante a respiração com a máscara, como alega o narrador do vídeo, porque o ar exalado dos pulmões tem uma temperatura muito mais baixa que a do vapor gerado por água fervente, segundo Carlos R. Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Vermes também não sobrevivem ao transporte de longa distância em locais lacrados e sem oxigênio, como ocorre com máscaras importadas da China. “São organismos que existem em situações extremamente controladas. Não tem como manter onde há variação de temperatura, pressão, umidade e falta de oxigênio”, disse Melissa Markoski, professora de biossegurança da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Aos Fatos não localizou a origem do vídeo, mas verificou que já circulou em outros países com esta alegação falsa, tendo sido checado por AFP, Maldita, Polígrafo e Myth Detector.

Referências:

1. Abint


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