Vídeo não mostra relato de criança sobre festas de Jeffrey Epstein

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Não é verdade que um vídeo mostra o relato de uma criança sobre o que ocorria nas festas promovidas por Jeffrey Epstein, empresário responsável por comandar uma rede de tráfico sexual e abuso de menores. O registro mostra uma falsa acusação feita por um menino contra o próprio pai na Inglaterra em 2014. O caso não tem relação com Epstein.

As peças enganosas somavam 630 mil curtidas no Instagram e 5.400 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (12).

Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais de 3 milhões de páginas, mais de 2.000 vídeos e 180 mil imagens [do caso Epstein]. Não é conspiração. São documentos oficiais do governo. Um garoto relatando o que acontecia nas festas frequentadas por pessoas poderosas.

Imagem dividida em dois quadros mostra, na parte superior, uma criança de pele clara e cabelo claro sentada em um sofá de couro escuro, usando blusa de manga longa amarela. Seu rosto está desfocado e há marcações numéricas no canto inferior esquerdo, além de um pequeno quadro no canto superior com outra cena. Sobre essa parte, aparece a frase ‘E foi no final da festa que tudo aconteceu?’. Na parte inferior, um homem de pele clara aparece em ambiente com paredes revestidas de azulejos brancos, olhando para a câmera; seu rosto também está desfocado.

Não faz parte dos arquivos sobre o caso Epstein o vídeo em que uma criança diz ter sido vítima de abuso sexual durante uma festa. Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos verificou que o registro original é de 2014 e retrata o falso testemunho de Gabriel Dearman contra o próprio pai, Ricky Dearman, em um caso que ficou conhecido na Inglaterra como “Hampstead hoax”.

Na época, Gabriel e a irmã acusaram o pai de comandar um culto satânico pedófilo que envolveria 175 pessoas, entre professores, pais, policiais e líderes religiosos.

No decorrer das investigações, as crianças se retrataram e disseram à polícia que haviam sido forçadas pela mãe e o companheiro dela a fazer as acusações em um processo que a Justiça classificou como infundado.

Em 2025, o caso deu origem ao documentário “Pedofilia em Hampstead, a Grande Mentira”, que está disponível em plataformas de streaming.

Desde o fim de janeiro, quando o governo americano divulgou um novo lote de imagens e documentos que detalham os abusos cometidos por Epstein, passaram a circular uma série de peças de desinformação nas redes. Aos Fatos já desmentiu imagens que buscavam associar o empresário a políticos e autoridades e que supostamente provariam que ele estaria vivo.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou busca reversa de imagens para identificar a origem do vídeo e localizou registros anteriores associados ao caso “Hampstead hoax”, ocorrido em 2014. A reportagem verificou o contexto original do depoimento e os desdobramentos do processo judicial mencionado.

Em seguida, consultamos a biblioteca de arquivos do caso Epstein disponibilizada pelo Departamento de Justiça dos EUA para verificar se havia ligação entre o vídeo e as investigações. Também organizamos informações públicas sobre a retratação das crianças e as conclusões das autoridades.

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