É falso que um vídeo que circula nas redes mostre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça se posicionando contra a quebra de sigilo de envolvidos no caso Master. A gravação registra divergência entre o magistrado e Alexandre de Moraes sobre a quebra de sigilo de usuários de internet ao julgar os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes.
Publicações com a atribuição enganosa do vídeo acumulavam ao menos 112 mil visualizações no X e 35 mil visualizações no Kwai até a tarde desta quarta-feira (25).
ANDRÉ MENDONÇA NÃO QUER QUEBRAR O SIGILO DO BANCO MASTER

Um vídeo que mostra uma divergência entre os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes sobre quebras de sigilo no julgamento do caso Marielle tem circulado em posts como se fosse relativo ao escândalo do Banco Master.
A gravação foi feita em uma sessão de abril do ano passado e registra uma discussão dos ministros sobre os limites para a quebra de sigilo de usuários da internet que poderiam ser implicados no plano que resultou na morte da vereadora do PSOL e de seu motorista, Anderson Gomes.
Aos Fatos encontrou registros que evidenciam o contexto original da discussão, ocorrida em sessão plenária de 23 de abril de 2025. O vídeo está disponível na íntegra no canal do STF no YouTube (veja abaixo).
Na ocasião, o Google havia questionado a obrigação de fornecer informações sigilosas de dispositivos de usuários que pesquisaram termos relacionados a Marielle dias antes do assassinato. Segundo a empresa, o fornecimento desses dados configuraria violação de privacidade, da proteção de dados e da liberdade de comunicação.
Nesse contexto, André Mendonça argumentou que a quebra do sigilo deveria atingir apenas aqueles diretamente envolvidos na investigação. Já Moraes defendeu o recurso para pessoas indeterminadas. O julgamento do caso ainda não foi concluído, pois o ministro Dias Toffoli pediu vistas do processo em setembro do ano passado.
Em nenhum momento, porém, houve menção ao Banco Master. O escândalo envolvendo a instituição financeira só se tornou público em novembro de 2025, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do banco — ou seja, sete meses após a sessão mostrada no vídeo.
No dia 16 de março, Mendonça proibiu a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que apura desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de acessar documentos sigilosos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
Na decisão, o ministro justificou a restrição aos arquivos do ex-banqueiro “considerando a necessidade de preservação do sigilo em relação a aspectos da vida privada dos investigados” na Operação Compliance Zero.
A proibição foi decretada após o vazamento de conversas íntimas contidas no celular de Vorcaro, como diálogos pessoais entre o banqueiro e sua ex-noiva, a influenciadora Martha Graeff.
Essa peça de desinformação também foi verificada pela agência Reuters, pela AFP e pelo Estadão Verifica.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez buscas na imprensa e nos canais oficiais do STF (Supremo Tribunal Federal) para localizar o vídeo original usado pela peça de desinformação, constatando que se tratava de uma discussão entre os ministros devido a uma divergência no âmbito do julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes — sem, portanto, relação com o Banco Master.





