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Vídeo não mostra integrantes do MST destruindo estação de energia no Amapá

Por Luiz Fernando Menezes

8 de dezembro de 2020, 14h46

É falso que imagens virais de homens destruindo postes de energia mostrem uma ação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em uma estação no Amapá (veja aqui). O vídeo original foi gravado em novembro de 2017 em Correntina (BA), quando moradores da região protestavam contra o sistema de irrigação de duas fazendas.

O vídeo descontextualizado circulou inicialmente nas redes sociais em novembro, logo após o apagão no Amapá. As publicações, no entanto, voltaram a ser compartilhadas nas redes, reunindo ao menos 11 mil compartilhamentos nas últimas 24 horas. Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

Um vídeo em que pessoas derrubam postes do que parece ser uma estação de energia tem circulado nas redes sociais com a alegação de que se trata de um registro de uma ação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Amapá. As publicações sugerem que o vandalismo teria sido responsável pelo apagão que atingiu o estado em novembro. Em busca reversa pelas imagens, no entanto, é possível verificar que o vídeo é antigo e não tem relação com o MST.

As imagens apareceram em uma reportagem veiculada na edição de 6 de novembro de 2017 do Bom Dia Brasil, programa da TV Globo. Segundo a matéria, fazendas de Correntina (BA) teriam sido invadidas por mais de mil pessoas que protestavam contra o tipo de irrigação usada nas propriedades. O grupo de ribeirinhos alegava que a irrigação estaria secando o rio da região e provocando quedas de energia.

Na época da invasão, o MST emitiu uma nota para esclarecer que, por mais que apoie ações de denúncia a práticas abusivas do agronegócio, não participou nem teve envolvimento no caso.

Crise no Amapá. Após uma explosão que comprometeu três transformadores de energia em uma subestação de Macapá no dia 3 de novembro, 13 das 16 cidades do estado ficaram sem luz. No dia 8, parte da energia foi restabelecida por meio de rodízio de seis horas de alternância. A normalização do serviço só foi anunciada 22 dias depois, em 24 de novembro.

Na última segunda-feira (7), o ONS (Operador Nacional de Sistema Elétrico) publicou um relatório da situação do Amapá. A investigação concluiu que houve um curto-circuito seguido de explosão e incêndio em um dos transformadores que pode ter sido causado por falha interna ou isolamento inadequado na subestação. Não há, em nenhum momento do texto, citação ao MST ou a qualquer ataque.

A peça de desinformação também foi desmentida pela Agência Lupa, pela AFP Checamos, pelo Boatos.org, pelo e-Farsas, pelo Estadão Verifica e pelo Fato ou Fake.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3 e 4)
2. MST
3. ONS

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