Foi gerado por inteligência artificial o vídeo em que militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ameaçam invadir os EUA para libertar Nicolás Maduro, preso no sábado (3). Além de conter anomalias comuns a conteúdos de IA, a gravação também foi feita por um perfil no Instagram especializado em registros sintéticos. Mesmo assim, o conteúdo foi compartilhado como real por políticos de direita.
O vídeo enganoso acumulava ao menos 200 mil curtidas no Instagram e centenas de milhares de visualizações no TikTok nesta segunda-feira (5).
MST ameaçam (sic) invadir os Estados Unidos para libertar Maduro

Foi gerado por IA o vídeo que circula nas redes em que militantes do MST dizem: “se for preciso, vamos até os EUA libertar nosso companheiro Maduro”. O conteúdo foi publicado originalmente no sábado (3) pelo perfil de Instagram Café com Logística. A página já postou diversos conteúdos sintéticos sobre os sem-terra.
A gravação também contém anomalias comuns em vídeos de IA:
- O símbolo do MST aparece incorreto: no oficial, há um homem com camisa cinza e uma mulher de vermelho; no vídeo, há apenas uma mancha vermelha (veja abaixo);
- Há o som de um tambor, mas o homem que estaria com o instrumento toca a baqueta em sua própria mão;
- As palavras de ordem proferidas também soam artificiais. Todos os supostos manifestantes começam a cantar no mesmo momento e pronunciam em uníssono “ulivre” antes de dizerem “Maduro livre”.

O vídeo falso passou a viralizar nas redes no domingo (4), quando foi compartilhado por políticos, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e os deputados estaduais Carlos Humberto (PL-SC) e Jessé Lopes (PL-SC).
Ao Aos Fatos, Lopes disse que compartilhou o vídeo em “tom jocoso e pelas risadas, a fim de provocar, criticar e zombar das manifestações da esquerda brasileira e, principalmente, do MST”.
Cleitinho Azevedo e Carlos Humberto também foram procurados por Aos Fatos, mas não responderam até a publicação desta checagem.

É fato, no entanto, que o MST se pronunciou sobre a captura de Maduro no final de semana. Em publicações nas redes sociais, o movimento classificou o ataque à Venezuela como “criminoso”.
Maduro foi capturado com sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado (3) após um ataque das forças americanas a Caracas e outras cidades da Venezuela. Eles chegaram a um centro de detenção em Nova York ainda naquele dia. O casal será julgado pela Justiça americana em um tribunal da região.
Na manhã desta segunda-feira (5), o ex-ditador venezuelano se declarou inocente de todos os crimes apontados — entre eles, narcoterrorismo e posse de armas de explosivos — e alegou ser um “prisioneiro de guerra” de Donald Trump.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o vídeo original, publicado em um perfil especializado em registros gerados por IA. Também fizemos o download do conteúdo para analisar as imagens em câmera lenta e identificar anomalias descritas na checagem acima.
Aos Fatos ligou ainda para os gabinetes dos três políticos citados na checagem e enviou email oferecendo espaço na checagem para comentários. Não houve resposta até a publicação.




