Vídeo mostra bombardeio dos EUA ao Iraque em 2003, não ataque recente ao Irã

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Posts nas redes compartilham um vídeo antigo como se mostrasse um ataque dos EUA ao Irã na última terça-feira (9). A gravação, na verdade, foi registrada em 2003, durante um bombardeio americano ao Iraque.

O vídeo fora de contexto acumulava ao menos 7.000 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (10).

AGORA: Os Estados Unidos lançam ataques intensos contra o Irã. A capital, Teerã, e outras cidades do país estão sendo alvo de bombardeios.

Imagem mostra uma captura de tela de uma publicação em rede social. No topo, um texto em letras brancas afirma: ‘AGORA: Os Estados Unidos lançam ataques intensos contra o Irã. A capital, Teerã, e outras cidades do país estão sendo alvo de bombardeios’. Ao centro aparece uma cena noturna com clarões alaranjados no horizonte e colunas de fumaça, sugerindo explosões ou incêndios em uma área urbana. Na parte inferior há duas imagens menores: à esquerda, pessoas usando capacetes, óculos de proteção e máscaras; à direita, Donald Trump — homem de pele clara, cabelo loiro penteado para o lado — diante de uma bandeira dos Estados Unidos. A montagem utiliza fundo escuro e elementos gráficos típicos de publicações de notícias em redes sociais. 

Não foi registrado no Irã, nem se trata de uma gravação recente, o vídeo que mostra um bombardeio noturno em uma cidade, diferentemente do que alegam posts nas redes.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que as imagens já circulam nas redes desde o ano passado (veja aqui). Na verdade, o registro mostra um bombardeio em Bagdá, capital do Iraque, em 2003.

Imagem mostra uma montagem com quatro fotografias noturnas organizadas em uma grade de duas linhas e duas colunas. As imagens exibem clarões alaranjados, fumaça e nuvens iluminadas no céu, além de pequenos pontos de luz próximos ao solo, sugerindo explosões ou incêndios à distância. As duas imagens superiores possuem uma sobreposição de linhas diagonais escuras. Na imagem inferior esquerda aparece uma estrutura vertical iluminada em meio à fumaça e ao brilho das chamas. A imagem inferior direita mostra uma grande nuvem de fumaça iluminada por uma luz alaranjada proveniente do horizonte. Não há pessoas visíveis na montagem.
Cenas que aparecem no vídeo descontextualizado são versões com menor resolução da gravação dos bombardeios no Iraque (Reprodução)

O maior indício de que o vídeo está fora de contexto são os pontos turísticos da capital iraquiana nas imagens. Em diferentes momentos, é possível ver o Rio Tigre e observar o relógio de Bagdá (veja abaixo).

Imagem mostra uma montagem comparativa com duas fotografias lado a lado. À esquerda aparece uma imagem noturna e avermelhada com forte presença de fumaça ou névoa, sobreposta por linhas diagonais escuras. No centro da imagem é visível uma estrutura alta e estreita iluminada, com um mostrador circular no topo, semelhante a uma torre de relógio. À direita aparece uma fotografia diurna da mesma estrutura, uma torre metálica com relógios em suas faces superiores, vista por trás de galhos e folhas em primeiro plano. No canto inferior direito há o logotipo ‘af.’ em um círculo preto.
Relógio de Bagdá pode ser reconhecido nas imagens (Wikimedia Commons)

Naquela época, os EUA iniciaram uma guerra contra o Iraque sob a justificativa de que o país teria armas de destruição em massa. O conflito durou cerca de dois meses, mas o combate contra guerrilhas locais continuou até 2011, quando as forças americanas deixaram o país.

É verdade, porém, que os americanos atacaram Teerã na terça-feira (9). O bombardeio foi uma retaliação à derrubada de um helicóptero no Estreito de Ormuz no dia anterior (8). Após o ataque, o presidente Donald Trump disse que realizaria outras investidas contra o país ainda nesta quarta (10).

O presidente americano vem, desde março, defendendo um acordo de paz entre Irã e Israel, sem sucesso.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou uma busca reversa de prints do vídeo e encontrou gravações semelhantes publicadas em anos anteriores e que indicavam se tratar de registros do bombardeio ao Iraque em 2003. Também procuramos informações adicionais sobre o ataque atual dos EUA contra o Irã.

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