Vídeo mostra assassinato de mulher no México, não na Venezuela

Por Priscila Pacheco

21 de dezembro de 2021, 16h46

Um vídeo difundido nas redes sociais que mostra uma mulher sendo baleada enquanto fazia um discurso na rua foi gravado no México, não na Venezuela, como afirmam peças de desinformação (veja aqui). As imagens são do assassinato de Alma Barragán, que se candidatou à prefeitura de Moroleón, cidade mexicana de 50 mil habitantes. Ela foi morta durante um ato de campanha, em 25 de maio.

As postagens enganosas reuniam ao menos centenas de compartilhamentos nesta terça-feira (21).


Selo falso

Um vídeo que mostra o momento do assassinato de Alma Barragán, candidata à prefeitura da Moroleón, no México, tem sido compartilhado fora de contexto por publicações que afirmam que quem fala a "verdade" na Venezuela "está morrendo".

Em 25 de maio deste ano, Barragán apresentava em uma rua de Moroleón as suas propostas de campanha quando um grupo de homens chegou e atirou em sua direção. Ela morreu no local. As imagens do vídeo podem ser conferidas em uma reportagem publicada pelo site de notícias Infobae.

No vídeo, Barragán discursa sobre como as ruas e os cidadãos foram abandonados por muitos anos, quando começam barulhos de tiro. O cinegrafista aparentemente larga a câmera, mas antes de a gravação ser interrompida, é possível ver que a candidata foi atingida.

Momentos antes, ela havia gravado um vídeo convocando a população da cidade, situada a 300 quilômetros da capital do país (Cidade do México), para participar do evento.

As eleições de 2021 no México aconteceram em 6 de junho para escolha de cargos nas esferas federal, estadual e municipal. Durante a campanha, que começou em 7 de setembro do ano anterior, 102 políticos foram assassinados. Houve ainda 1.066 denúncias de agressões no período. Três suspeitos pela morte de Barragán foram presos.

Venezuela. Casos de violência contra dissidentes políticos também ocorrem atualmente na Venezuela. Segundo o Relatório Mundial 2021 da ONG Human Rights Watch, o governo Maduro e as suas forças de segurança são responsáveis por execuções extrajudiciais, desaparecimentos, prisões de adversários políticos, execução de processos civis em tribunais militares, tortura de presos e repressão de manifestantes.

A desinformação também foi checada pelo Boatos.org e pela Lupa.

Referências:

1. Deutsche Welle
2. El País
3. Infobae
4. Daily Mail
5. Animal Político (Fontes 1 e 2)
6. HRW


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