Não é verdade que um vídeo mostra um ato realizado na avenida Paulista neste sábado (22) para apoiar a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL). A gravação que circula nas redes como se retratasse uma manifestação ocorrida após a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi registrada em setembro durante manifestação contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam milhares de curtidas no Instagram até a tarde deste sábado (22).
Avenida Paulista, agora, em frente ao MASP. Tá só começando

Publicações enganam ao afirmar que foi registrado neste sábado (22) um vídeo que mostra uma manifestação de esquerda na avenida Paulista. Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que a gravação, que circula como se retratasse um ato motivado pela prisão preventiva de Jair Bolsonaro, foi feita em 21 de setembro deste ano (veja abaixo).
Avenida Paulista, agora, em frente ao MASP.
— Pragmatismo Politico (@Pragmatismo_) September 21, 2025
Tá só começando! pic.twitter.com/nHGbG3B6Pc
O ato, organizado por movimentos de esquerda e replicado em diversas capitais do país, tinha como pautas a oposição à PEC da Blindagem e ao projeto que concede anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Na época, a avenida Paulista reuniu 42,4 mil pessoas no horário de pico, segundo o Monitor do Debate Político do Meio Digital, coordenado pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em parceria com a ONG More in Common.
Até a publicação desta checagem, Aos Fatos não encontrou informações sobre um ato similar em São Paulo. É fato, porém, que apoiadores e opositores do ex-presidente foram até a sede da Polícia Federal em Brasília, onde ele está detido, para se manifestarem.
Prisão preventiva. Bolsonaro foi detido na manhã deste sábado (22) em sua casa, em Brasília, após o ministro Alexandre de Moraes converter a prisão domiciliar do ex-presidente em prisão preventiva. A mudança ocorreu após o magistrado avaliar que existia risco de fuga.
A decisão mencionou uma violação da tornozeleira eletrônica, ocorrida pouco depois da meia-noite deste sábado (22).
De acordo com um relatório da Seape (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal) divulgado pela GloboNews, o equipamento apresentou “sinais claros e importantes de avaria” e “marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case”. Questionado, Bolsonaro disse que tentou mexer no equipamento com “ferro quente”.
A decisão de Moraes também menciona um vídeo divulgado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocando apoiadores para se reunir perto do condomínio onde o ex-presidente reside. Para o magistrado, a mobilização poderia gerar tumulto suficiente para atrapalhar a fiscalização das medidas cautelares impostas pela Corte e permitir a fuga do ex-presidente.
O caso será analisado pela Primeira Turma do STF em sessão virtual extraordinária marcada para a próxima segunda-feira (24). No próximo domingo (23), ocorre a audiência de custódia, que vai avaliar as circunstâncias da prisão.
O caminho da apuração
A reportagem realizou busca reversa de trechos do vídeo divulgado nas redes para identificar quando a gravação havia sido feita. As consultas levaram a registros publicados em 21 de setembro, durante manifestação contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia.
Aos Fatos também buscou registros oficiais e notícias sobre eventuais manifestações realizadas neste sábado (22) em São Paulo e checou, por meio de monitoramento de redes sociais e veículos de imprensa, onde ocorrem mobilizações relacionadas à prisão preventiva do ex-presidente.




