Imagens virais são de incêndio em pátio de carros na Austrália, não na França

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Um vídeo que mostra carros em chamas em um estacionamento não foi gravado na França nem tem relação com a recente onda de protestos violentos que vem assolando o país europeu, como alegam publicações nas redes. O registro retrata um incêndio ocorrido em um pátio de carros na Austrália, em abril deste ano.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 12 mil visualizações no TikTok, 6.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (10). As peças de desinformação circulam também no WhatsApp, plataforma na qual não é possível estimar o alcance (fale com a Fátima).


Selo falso

Manifestantes franceses colocam fogo em vários carros em estacionamento

Print de um vídeo que mostra um incêndio em pátio de carros na Austrália, que tem sido difundido nas redes como se fosse na França

Posts nas redes difundem um vídeo que mostra carros em chamas em um estacionamento, como se tivesse sido gravado na França durante a recente onda de violência que se espalhou pelo país europeu. As imagens mostram, na realidade, um incêndio que destruiu dezenas de veículos em um pátio particular de carros em Perth, na Austrália, em 29 de abril de 2023.

Os veículos estavam em um estacionamento da empresa de leilão de automóveis Pickles Auctions, que informou que 60 veículos foram atingidos pelas chamas. A causa do incêndio não foi revelada.

Em checagem anterior, o Aos Fatos verificou que o vídeo que mostra um incêndio na sede do serviço postal das Filipinas, na capital Manila, tem sido difundido nas redes como se fosse em uma biblioteca na cidade francesa de Marselha.

Violência. A França vem atravessando uma onda de violência após a morte de um jovem franco-argelino de 17 anos baleado por um policial após furar uma blitz nos arredores de Paris, em 27 de junho. Até a última quarta-feira (5), mais de 12 mil carros foram incendiados, milhares de prédios públicos e privados foram vandalizados, e mais de 3.500 pessoas foram detidas. O presidente francês, Emmanuel Macron, atribuiu a violência ao uso de videogames e cogitou a possibilidade de “suspender” temporariamente o acesso às redes.

A Rede Europeia Contra o Racismo e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos apontam para problemas de racismo e discriminação racial na polícia francesa.

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