Vídeo de IA circula em posts como se mostrasse desabamento na Colômbia

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Foi produzido por IA o vídeo que mostra um prédio desabando e atingindo uma equipe de bombeiros na Colômbia, diferentemente do que tentam fazer crer posts nas redes. Tanto as imagens quanto o áudio têm marcas d’água de ferramentas de geração artificial do Google. Além disso, há diversos indícios de manipulação digital.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 200 mil visualizações no TikTok e mais de 1.000 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta terça-feira (11).

[Vídeo mostra impacto do]🚨 TERREMOTO DE MAGNITUDE 7,4 DEVASTA REGIÕES DA COLÔMBIA E DEIXA MAIS DE 100 MORTOS

A imagem mostra uma cena urbana vista de um ponto elevado. No centro, há um edifício residencial alto, de fachada amarela, inclinado para o lado e com grandes rachaduras visíveis nas paredes. Parte da estrutura inferior do prédio está destruída, com concreto, paredes e outros materiais espalhados na rua. Algumas janelas e varandas estão danificadas. Ao lado do edifício há um caminhão de bombeiros vermelho com uma escada mecânica estendida até a parte superior da construção. Outro caminhão vermelho está parado mais abaixo na rua. Diversas pessoas estão espalhadas pelas calçadas e pela via, algumas próximas aos veículos de emergência. Há vários carros estacionados e circulando pela rua. Ao fundo, aparecem outros edifícios residenciais e comerciais de diferentes alturas, além de uma área urbana extensa. O céu está nublado.

Publicações nas redes enganam ao compartilhar como verdadeira uma gravação gerada por IA que mostra um prédio desabando. Os posts desinformativos levam a crer que a situação se deu após o terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), o que não é verdade.

Aos Fatos fez o download do vídeo e o submeteu às ferramentas de identificação de geração artificial. O Gemini, do Google, confirmou que tanto as imagens quanto o áudio possuem SynthID de suas ferramentas (veja abaixo). O SynthID é uma tecnologia que coloca marcas-d'água digitais e identifica conteúdos gerados por IA. Isso pode ocorrer em imagens, áudio, texto ou vídeo.

Este procedimento verifica a existência de “sinais de procedência associados a imagens geradas por ferramentas”, como explica a empresa. Se o resultado atesta a presença de SynthID, como mostrado abaixo, a imagem tem marcas d’água do Google.

A imagem é uma captura de tela de uma conversa com o Gemini. Na parte superior direita há uma miniatura de um vídeo de dez segundos mostrando um edifício alto aparentemente danificado. Na conversa, aparece a pergunta: 'Gemini, o vídeo tem marca de SynthID do Google?'. A resposta exibida afirma que sim, dizendo que o vídeo possui uma marca-d'água SynthID do Google e que a análise indica que tanto as imagens quanto o áudio foram gerados ou editados com ferramentas de inteligência artificial do Google. O texto também afirma que a marca-d'água foi detectada durante toda a extensão do vídeo, de 0:00 a 0:10, tanto nas partes visuais quanto sonoras.
Gemini confirmou que gravação possui marcas d’água de ferramentas de IA do Google (Reprodução/Gemini)

O próprio vídeo possui indícios de geração artificial, como anomalias e comportamentos pouco naturais:

  • As pessoas reagem de forma pouco natural à queda: não correm, não se assustam e nem tentam fugir do local.
  • Após o prédio desabar, janelas de vidro continuam intactas;
A imagem mostra um edifício de vários andares parcialmente destruído, com grandes partes da estrutura e do telhado desabadas. Há muita poeira e destroços ao redor da construção. Duas áreas da imagem estão destacadas por círculos laranjas: uma delas envolve uma janela na fachada do edifício, enquanto a outra destaca uma estrutura metálica comprida, semelhante a uma escada ou equipamento de acesso, posicionada diante da fachada. Na parte inferior da imagem, aparece o topo de um veículo vermelho, aparentemente um caminhão de emergência, além de pessoas parcialmente visíveis entre a poeira e os escombros. No canto inferior direito há um pequeno logotipo preto com as letras 'af.'.
  • Durante o vídeo, pessoas aparecem do nada ou somem quando passam por trás de objetos (veja abaixo);
A imagem é uma montagem com duas fotografias lado a lado, mostrando uma calçada vista de cima. Em ambas, há várias pessoas caminhando próximas a um carro branco estacionado junto à calçada. À esquerda, duas pessoas aparecem dentro de um círculo laranja desenhado sobre a imagem; à direita, o mesmo trecho é mostrado novamente, também destacado por um círculo laranja. No local destacado, há uma estrutura vertical junto à borda de uma área ajardinada, e pessoas passam próximas a ela. Ao fundo, aparecem uma área com plantas, um muro e outros veículos. Na parte inferior direita da montagem há um pequeno logotipo preto com as letras 'af.'.

Terremoto. Na segunda-feira (10), a Colômbia registrou um terremoto de magnitude 7,4 — o mais forte no país neste século. O tremor teve seu epicentro na cidade de San José del Palmar, no oeste do país, a 103 km de profundidade. Os tremores foram sentidos, inclusive, em países vizinhos, como Panamá, Equador e aqui no Brasil.

As autoridades colombianas estimam que o sismo tenha vitimado ao menos 224 pessoas e ferido outras 500. Aeroportos, instituições de ensino e ao menos 18 unidades de saúde também registraram problemas estruturais e tiveram que suspender as operações.

O caminho da apuração

Aos Fatos submeteu a gravação à análise do Gemini, que apontou o uso de ferramentas de inteligência artificial. A reportagem também analisou o vídeo e identificou indícios de manipulação digital.

Por fim, a checagem foi complementada com informações sobre o terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10).

Referências

  1. Google
  2. BBC Brasil
  3. g1

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