Não é verdade que um vídeo mostra agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) prendendo erroneamente um cidadão americano e, em seguida, invadindo a casa de um vizinho que filmava a abordagem para também detê-lo. A gravação registra uma ação policial de 2019 que não tem relação com atuais operações de imigração.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 3.500 compartilhamentos no Facebook e 230 mil visualizações no X até a tarde desta quarta-feira (14).
A polícia de imigração do Trump estava prendendo um cidadão estadunidense erroneamente. Aí um vizinho começou a filmar a polícia. O que a polícia faz? Invadem a casa do cara sem mandado e prendem o cara que está filmando. Isso aí é ditadura.

Não é recente e não tem relação com agentes do ICE um vídeo que mostra uma pessoa sendo detida após filmar uma abordagem policial. Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos localizou a gravação original e verificou que ela foi publicada em 9 de setembro de 2019 pelo próprio homem detido.
Na legenda da publicação, Nick Pettit afirmou que havia sido advertido anteriormente de que não poderia sair de casa nem registrar em vídeo a ação policial. Na época, o autor pediu que o conteúdo fosse compartilhado para denunciar o que considerava um abuso de poder por parte dos agentes envolvidos.
De acordo com relatos da mídia local, o caso ocorreu em Columbus, no estado americano de Ohio. Durante o cumprimento de um mandado de busca em uma residência, um membro da SWAT (Armas e Táticas Especiais, em português) — e não do ICE — teria agredido um adolescente de 16 anos. Isso motivou o vizinho a filmar a cena.
Pettit permaneceu preso por cinco dias sob alegação de “má-conduta durante emergência”. A queixa foi retirada dias depois por falta de provas.
Em maio de 2021, a prefeitura de Columbus fechou um acordo judicial para pagar US$ 20 mil a Pettit pelos danos causados em decorrência do caso.
ICE e governo Trump. Na época em que o vídeo foi filmado, Donald Trump estava em seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos. Embora já adotasse um discurso duro contra a imigração, o foco principal do governo era a construção do muro na fronteira com o México, e não a realização de grandes operações internas de detenção em massa por meio da atuação de agentes do ICE.
O cenário mudou a partir da campanha presidencial de 2024, quando Trump passou a prometer publicamente uma ampliação das deportações e um endurecimento das políticas migratórias.
No primeiro dia de seu segundo mandato, o presidente assinou uma série de medidas voltadas à imigração. Entre as ações anunciadas estava a intensificação das atividades do ICE, ampliando os poderes de agentes para realizar deportações.
Desde então, a presença de agentes de imigração tornou-se mais frequente em diversas regiões do país. O governo estabeleceu como meta elevar o número de prisões migratórias para até 3.000 por dia.
Uma nova proposta orçamentária, assinada por Trump em setembro do ano passado, prevê cerca de US$ 170 bilhões à segurança de fronteiras e imigração até 2029, sendo aproximadamente US$ 30 bilhões reservados especificamente para as operações do ICE.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos encontrou a gravação original e constatou que ela foi publicada em setembro de 2019 pelo próprio autor do vídeo. Em nenhum momento, há menção a agentes de imigração ou a operações do ICE.
Também complementamos a checagem com informações publicadas na mídia local sobre o caso e dados sobre a política imigratória do segundo mandato de Donald Trump.




